O jornalista e crítico de cinema Nelson
Hoineff morreu neste domingo (15) aos 71 anos. Ele ficou conhecido pelo
programa Documento Especial, exibido entre 1989 e 1998.
A morte foi confirmada nas redes sociais de Hoineff.
Procurada, a família não confirmou a causa. O jornalista enfrentava há tempos
problemas de saúde —ele havia passado dois anos internado, tratando
uma infecção no pé, mas foi liberado para se recuperar em casa.
O programa
Documento Especial testou os limites do jornalismo brasileiro ao
ser pioneiro ao usar recursos como câmera escondida, longos planos sem
corte e ao retratar pessoas e situações até então muitas vezes ignoradas pela
imprensa.
Os 430 episódios variam entre temas abstratos e
outros polêmicos, como prostituição, grupos neonazistas e a Igreja
Pentecostal —neste último, a cobertura foi feita com uma câmera escondida
dentro de uma bíblia de madeira.
Entre os episódios mais clássicos estão um sobre a ida à
praia de moradores do subúrbio do Rio de Janeiro e outro sobre a seca no
Nordeste, no qual acompanha pessoas que precisavam andar 1,5 quilômetro
para conseguir água.
Além de jornalista, Hoineff também era crítico de
cinema e passou por emissoras como TV Machete, SBT, TV
Cultura, Band e GNT. Ele também foi membro do Conselho
Consultivo da Secretaria do Audiovisual.
Ele também assina documentários como “Alô
Alô Terezinha” (2009),
sobre o Chacrinha, "Caro Francis" (2010), sobre o jornalista Paulo
Francis, e "Cauby
- Começaria Tudo Outra Vez" (2013).
Em fevereiro deste ano, aos 70 anos, escreveu um depoimento
em uma rede social descrevendo os preparativos para o seu próprio sepultamento.
“Foi o embrião para um livro que é meio uma reportagem sobre mim mesmo, uma
coisa Tom Wolfe. E tal qual o Documento, não contém uma vírgula de
mentira.”
O velório está marcado para esta segunda (16), às 12h,
no Cemitério Comunal Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro.

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