Duas ameaças ao consumidor se somam, neste atribulado 2020, ao desemprego e ao achatamento da renda das famílias: a decolagem do dólar e as consequências do coronavírus.
Se o dólar chegar aos R$ 5, patamar antes inimaginável,
mesmo com a paralisia econômica os preços vão subir em várias áreas. E eventual
prolongamento da epidemia
de coronavírus pode
provocar escassez de componentes chineses para produtos eletroeletrônicos, dentre
outros.
A diferença em relação a estes dois riscos é que, em termos
de coronavírus, o melhor que o país pode fazer é tomar medidas para evitar o
contágio interno. No caso do dólar, qualquer declaração impensada põe lenha na
fogueira, contribuindo para a especulação.
Confrontos
desnecessários entre Executivo e Legislativo também não ajudam nada,
muito pelo contrário. Atrasam reformas urgentes e criam mais insegurança e
instabilidade. Caldo de cultura ideal para a desvalorização do real frente ao
dólar.
Então, se não dominamos epidemias fora de nossas
fronteiras, devemos
lidar com ameaças internas, provocadas por um descompasso entre o que é
relevante e o que depende de bom senso e de aceitação da convivência
democrática.
Assim como a não correção da tabela do Imposto
de Renda configura aumento de tributação, e retira dinheiro de uma
economia que anda de lado, pintar o rosto para guerra política não tem efeito
positivo para a retomada do crescimento econômico. Pode, ao contrário, adiar
investimentos, o que seria péssimo para todos –empregados e desempregados,
empresários e governantes.
Quem tem apreço pelo poder, deveria fazer mais e falar
menos. No mínimo, pensar muito bem antes de falar sobre o dólar e o Congresso
Nacional.
Maria Inês DolciAdvogada especialista em direitos do consumidor, foi coordenadora da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor).

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