A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE) divulgou, ontem, um estudo sobre o comércio internacional de mercadorias
nos países do G20, cujo fluxo continuou recuando no quarto trimestre de 2019,
“com as exportações e importações caindo para os níveis mais baixos em dois
anos”. O comunicado cita o coronavírus como um problema para as trocas entre os
países, com chances reais de contaminar os resultados do primeiro trimestre de 2020.
O papa Francisco levou um susto — era uma indisposição —,
com suspeita de uma gripe, num país que está à beira do pânico por causa da
epidemia de coronavírus. Depois do Irã, a Itália abriga o maior número de casos
fora da China. Na América Latina, o Brasil é o primeiro país a ter um caso
confirmado de coronavírus, um homem que havia chegado da Itália. A Organização
Mundial de Saúde ainda não declarou uma pandemia, mas admite que o risco
aumentou e elevou o estado de alerta.
São 132 casos suspeitos no Brasil, em São Paulo (55), Rio
Grande do Sul (24), Rio de Janeiro (9), Santa Catarina (8), Paraná (5),
Distrito Federal (5), Minas Gerais (5), Ceará (5), Rio Grande do Norte (4),
Pernambuco (3), Goiás (3), Mato Grosso do Sul (2), e Paraíba, Alagoas, Bahia e Espírito
Santo, com um caso suspeito cada. O Ministério da Saúde trabalha na prevenção,
mas já admite que os casos podem chegar a 300 e estuda medidas para enfrentar
uma epidemia. Uma delas é antecipar a vacinação contra a gripe, para facilitar
o diagnóstico de coronavírus. O carnaval foi um período propício à transmissão
de doenças infectocontagiosas, por causa das multidões em circulação e contato
físico direto.
Nas redes sociais, circulam informações de toda ordem, desde
o áudio do carioca que se acha um super-homem por sobreviver a todas as mazelas
da cidade até decálogos de prevenção que receitam de chá de erva-doce a
vitaminas, além de lavar as mãos e higienizá-las com álcool gel. O mais sensato
é só compartilhar informações oficiais das autoridades de saúde. Nos centros de
pesquisa, como Fiocruz e Instituto Butantã, cientistas participam da corrida
mundial para desenvolver uma vacina ou encontrar um medicamento eficaz contra a
doença. O Brasil tem uma larga experiência de combate a epidemias, mas também
coleciona fracassos, como a volta da febre amarela e a resiliência da dengue.
Uma empresa de biotecnologia com sede nos Estados Unidos
anunciou que uma vacina produzida em tempo recorde entrou em fase de testes,
outra prometeu novidades em razão de seus ensaios clínicos. Na China,
universidades e centros de pesquisa especializados, coordenados pelo Centro
Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, trabalham para produzir remédios e
vacinas. Austrália, Suíça, Itália, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido
também correm em busca de um medicamento adequado. Hoje, esse pode ser o melhor
negócio do mundo.
Golpismo
Por enquanto, o maior problema em relação ao coronavírus no Brasil continua sendo seu impacto no comércio com a China, como acontece com a maioria dos países. Para o governo brasileiro, porém, isso funciona também como aquela tempestade que desaba quando uma manifestação esvaziada ou show sem apelo popular vai começar: uma boa desculpa para o fracasso dos organizadores. A economia brasileira patina por outros motivos. Os principais são o nosso deficit fiscal, a interrupção das reformas e o diversionismo político de Bolsonaro.
Por enquanto, o maior problema em relação ao coronavírus no Brasil continua sendo seu impacto no comércio com a China, como acontece com a maioria dos países. Para o governo brasileiro, porém, isso funciona também como aquela tempestade que desaba quando uma manifestação esvaziada ou show sem apelo popular vai começar: uma boa desculpa para o fracasso dos organizadores. A economia brasileira patina por outros motivos. Os principais são o nosso deficit fiscal, a interrupção das reformas e o diversionismo político de Bolsonaro.
Passado o carnaval, o assunto em pauta na política é a
negociação entre o Palácio do Planalto e o Congresso sobre as emendas impositivas
ao Orçamento da União. Havia um acordo para derrubada dos vetos do presidente
Bolsonaro a emendas da ordem de R$ 30 bilhões, em troca da devolução de R$$ 11
bilhões. O Palácio do Planalto, por meio de seus negociadores, comeu mosca na
negociação; depois, resolveu melar o acordo.
Bolsonaro aproveitou a situação para pressionar o Congresso,
mobilizando seus partidários pelas redes sociais. Ocorre que a manifestação
convocada por seus aliados de extrema direita para o dia 15 de março tem um
caráter golpista, pois prega o fechamento do Congresso e do Supremo, além da
implantação de um regime ditatorial. Ou seja, oportunista, o vírus do golpismo
se aproveitou da situação. Quando Bolsonaro passa os feriados com os filhos
Eduardo, deputado federal, e Carlos, vereador no Rio, sempre cria uma nova
tensão política nas redes sociais.
Na próxima semana, os políticos e ministros do Supremo
voltarão a Brasília. Ontem, o clima já era de recuo organizado no Palácio do
Planalto, mas o cristal foi trincado. Generalizou-se a percepção — contra ou a
favor — de que Bolsonaro prepara um golpe de Estado e estica a corda para criar
uma crise com o Congresso. Sua narrativa e a dos aliados reforçam essa
percepção. Ela somente será desfeita com gestos efetivos e não, com declarações
evasivas, como até agora.

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