Bolsonaro pode ser
investigado por 7 crimes, avaliam procuradores após fala de Moro
As declarações do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio
Moro, podem levar o presidente Jair Bolsonaro a ser investigado por sete
crimes, avaliam integrantes do Ministério Público Federal (MPF) ouvidos
reservadamente pelo Estado/Broadcast. Para subprocuradores e
procuradores, a fala do ex-juiz federal da Lava Jato aponta indícios de
envolvimento de Bolsonaro nos crimes de responsabilidade, falsidade ideológica,
prevaricação, coação, corrupção, advocacia administrativa e até obstrução de
Justiça.
Uma das consequências da fala de Moro é aumentar a pressão
sobre o procurador-geral da República, Augusto Aras, criticado pelos seus pares
por, na visão deles, não agir para frear os excessos do Palácio do Planalto.
Integrantes do Ministério Público Federal (MPF) veem elementos suficientes para
que Aras já acione o Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a abertura
de uma investigação contra o presidente da República. Cabe ao PGR pedir a
abertura de um inquérito contra Bolsonaro na Suprema Corte.
Aras ainda está analisando as declarações de Moro. No
momento da coletiva do ex-juiz federal da Lava Jato, o procurador-geral da
República cumpria agenda com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de
Freitas. Para uma fonte, as declarações de Moro poderiam até mesmo
fundamentar neste momento uma denúncia da GR contra Bolsonaro. Nesse caso,
caberia à Câmara dos Deputados decidir dar prosseguimento ou não à acusação, o
que poderia levar ao afastamento do presidente da República de suas funções.
Interferência. Um dos pontos mais destacados por
membros do MPF foi a interferência política de Bolsonaro sobre a Polícia
Federal. De acordo com o ex-juiz federal da Lava Jato, o presidente também
demonstrou preocupação com o andamento de inquéritos sigilosos do Supremo
Tribunal Federal (STF) que já miraram empresários bolsonaristas e sua
militância digital.
“O presidente me disse que queria ter uma pessoa do contato
pessoal dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência,
seja diretor, superintendente, e realmente não é o papel da Polícia Federal
prestar esse tipo de informação. As investigações têm de ser preservadas”,
disse Moro, ao comentar as pressões de Bolsonaro para a troca no comando da PF.
Também chamou a atenção de membros do MPF a fala de Moro
sobre a exoneração de Maurício Valeixo da direção-geral da PF. Segundo
Moro, embora o documento de exoneração conste que Valeixo saiu do cargo “a
pedido”, o diretor-geral não queria deixar o cargo. O próprio Moro, que aparece
assinando a exoneração, afirmou que foi pego de surpresa pelo ato e negou que o
tenha assinado. Para investigadores, isso poderia configurar falsidade
ideológica.
Um renomado criminalista, no entanto, observou que seria
difícil comprovar a culpa do presidente nesse episódio, ou seja,
responsabilizar diretamente Bolsonaro pela publicação da exoneração.

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