É muito parecida a situação interna do Brasil com a dos EUA
no campo do combate ao coronavírus.
Parecida nas contradições. Lá o duelo é entre Trump e Anthony
Fauci. Aqui no Brasil, entre Bolsonaro e Mandetta.
Sei que não é animador comparar os dois países nesse momento
pois os EUA tem o maior número de casos no mundo. No momento em que escrevo já
passou dos 300 mil.
Trump sempre foi mais reticente do que Fauzi sobre a
necessidade do isolamento social. Custou a aceitar os argumentos do grande
infectologista que dirige o trabalho de saúde nesse campo.
Por outro lado, Trump foi muito entusiasmado com a
cloroquina, remédio a que chamou de game changer, isto é algo que viraria o
jogo contra o coronavírus.
No Brasil, Bolsonaro não é apenas reticente nem aceitou o
isolamento com atraso, como Trump. Ele é contra e acha que todos devem voltar
ao trabalho, menos os integrantes do grupo de risco. Mandetta é pelo isolamento
social.
Da mesma forma, Bolsonaro é um entusiasta da cloroquina.
Importou o produto da Índia e acha que deve ser ministrado em todos os estágios
da doença. Mandetta é reticente porque as pesquisas ainda não autorizam a
certeza de Bolsonaro.
Nos Estados Unidos, os partidários mais entusiasmados de
Trump iniciaram uma campanha intitulada demita Fauci. Ele foi ameaçado de morte
e precisa se mover com seguranças.
Aqui no Brasil, alguns partidários de Bolsonaro também pedem
a demissão de Mandetta. Não há noticias de que o ameaçaram de morte. Apenas o
governador de São Paulo está sofrendo essas ameaças.
Dois enfoque semelhantes no populismo, Trump e Bolsonaro
duvidaram desde o inicio da seriedade da expansão do corona vírus. No princípio
a consideram uma invenção da midia para derrubar seus governos.
Trump vai às eleições este ano. Bolsonaro ainda tem tempo
mas teme que a crise econômica destrua sua popularidade.
A passagem do corona vírus pelos EUA e o Brasil ainda não se
completou. Trump e Bolsonaro talvez pudessem agir diferente, mas existe uma
coerência no seu embate com cientistas, intelectuais e imprensa.
É muito cedo para prever o que vai acontecer com eles. Mas o
corona vírus, dada a sua gravidade e o número de mortos que provoca, pode ser
devastador para sua experiência.
Passou muito longe deles uma previsão de algo como o que
acontece agora. Por temperamento e viés politico, Barack Obama talvez estivesse
melhor nessa luta. Ele previu a vinda de uma gripe tipo espanhola e pregou a
necessidade de construir uma estrutura global para enfrentá-la.
Mas foi apenas um discurso. O prestígio da ciência, da
própria segurança biológica entraria em declínio nos EUA.
Aqui no Brasil, onde os recursos eram ainda mais escassos, o
declínio também se acentuou inclusive com a revoada de importantes
pesquisadores.
Vamos ver como reconstruir tudo, um pouco
adiante, apesar das terríveis condições esperam, no curto e médio prazo.

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