Escrevi um texto no domingo e fui ler alguns textos. Só
agora me dei conta de que Bolsonaro foi à manifestação pelo golpe militar
diante de uma instalação do Exército. Ultrapassou os limites da lei. É preciso
uma resposta unificada, segura, sem perder nunca de vista o momento de pandemia
em que vivemos.
Muitos vão falar apenas na derrubada de Bolsonaro porque
veem o mundo apenas pela ótica do poder. É preciso combinar as coisas.
Como agir para evitar o maior número de mortos? Como impor a lei e e ao mesmo
tempo não perder energia no combate ao corona vírus? Bolsonaro quer por
fogo no país. É preciso derrotá-lo também nesse propósito.
De qualquer forma, ai está o texto de domingo, escrito antes
da manifestação.
Hoje domingo alguém me desejou bom dia no instagram.
Respondi bom domingo e pensei: será que não cometi uma gafe? Todos os dias são
iguais na quarentena?
Na verdade, não são. Mesmo para alguns trabalhadores
essenciais, há domingos de folga.
Lembro-me dos domingos de antigamente quando uma ou outra
doença me prendia em casa. Era diferente. Podia imaginar os amigos nos seus
passos habituais, um mergulhando, outro tomando chope, garçonetes passando
ligeiras com a batata frita, torcedores com bandeiras marchando para os
estádios de futebol.
Hoje é diferente. Quase todos estão em casa. Só é possivel
imaginar lugares desertos e desolados.
Tirei o domingo para dar uma olhada no que se passa no
mundo. Coisas incríveis se passando. Em Bangladesh, 100 mil pessoas foram ao
enterrro de um líder político morto. Não houve quem os obrigasse a manter
distância. Uma bomba biológica. No Paquistão, grande parte da guarda palacial
foi contaminada, a Ingleterra não consegue liberar na Turquia os equipamentos
de protecão.
Mas há boas noticias também. A Noruega conseguiu sair da
crise, vai recomeçar com cuidado. Para isso lançou um aplicativo de saúde, onde
as pessoas indicam seu estado geral. No primeiro dia, um milhão de aplicativos
foram baixados. Servirá também para rastrear a contaminação e avisar às pessoas
que tiveram contato com alguém atingido pelo corona.
Sei que há muita reserva em abrir mão de dados pessoais. Mas
nos casos em que exista concordância, não há quebra de privacidade e sim uma
troca de informações.
Desde o princípio da crise, ali pelo carnaval, já imaginava
soluções desse tipo. Afinal é um vírus na era digital e no Brasil quase todo
mundo tem o seu telefone celular.
A saída do Ministério da Saúde de usar os telefones para
mapear a situação das pessoas talvez seja mais adequada pois nem todos podem
baixar e usar facilmente um aplicativo.
Uma solução adicional que propunha era também voluntária
para que não houvesse reservas sobre privacidade ou liberdade individual:
termômetros virtuais. É possível ter ideia de como está a temperatura de
milhões de pessoas.
Andei lendo também sobre o curso das vacinas. Não há
noticias animadores, exceto uma: o Brasil é dos paises do mundo com mais
capacidade de produção de vacinas.
Já os testes avançam em toda linha. Um grupo chamado Mount
Sinai Innovation Partners aprovou em Nova York e vai difundir pelo mundo um
novo teste para detetar anticorpos contra o corona vírus.
O grupo é dirigido por um brasileiro, Felipe Araujo, e se
dispõe a compartilhar a tecnologia gratuitamente com o mundo.
Bem jé tarde, hora que as piscinas se fecham, a praia
esvazia e os jornalistas no passado brigavam animadamente sobre cada lance da
partida que acabou.
Amanhã recomeçamos. Segunda é dia de trabalho.

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