Começou o desmonte da equipe de Mandetta, o Ministro da
Saúde. Começou com o pedido de demissão do secretário nacional de Vigilância em
Saúde, Wanderson de Oliveira, especialista em infectologia, homem com
conhecimentos para tratar da crise provocada pelo corona vírus.
Mandetta deve sair também. Os aliados de Bolsonaro já
comemoram o desmonte da equipe. Acho uma temeridade, no auge da crise. Talvez
seja o único país do mundo a experimentar mudanças no auge do combate ao vírus.
O pano de fundo são as divergências entre Bolsonaro e
Mandetta. O presidente quer acabar com o isolamento social e tocar logo a
economia. Mandetta resiste, seguindo a linha consagrada internacionalmente.
Há divergências sobre a comprovação da eficácia da
cloroquina. Bolsonaro é empolgado com o remédio e acha que deva ser ministrado
em todas as fases da doença. Mandetta quer esperar mais comprovações
científicas.
Bolsonaro, no passado, foi defensor da pílula contra o
câncer, lançada por um professor aposentado da USP, Gilberto Orivaldo Chierice.
A fosfoetanolamina, esse era o nome do remédio, chegou a ser aprovada na Câmara
mas foi barrada no Supremo.
Bolsonaro acha que a distribuição do remédio, cujos insumos
importou maçicamente da Índia, seria um fator de segurança para a volta ao
trabalho normal.
Numa entrevista coletiva concedida à tarde, Mandetta não
disse que continuaria no cargo. Pelo contrário, deu a entender que Bolsonaro o
substituiria. Pelo menos tanto ele como seus auxiliares estão dispostos a ficar
até o momento da despedida. E dispostos a ajudar os escolhidos por Bolsonaro
para que montem seu trabalho.
A sensação que tenho é de que todos estão comprometidos com
a redução de danos, uma tentativa de fazer com que a mudança não impacte a luta
contra o corona vírus.
Tenho algumas dúvidas. Bolsonaro vai querer impor sua
política. Será difícil romper com o isolamento decretado por estados e
municipios: eles têm o direito de fazê-lo. No princípio pelo menos, vai haver
mais cloroquina. É o que posso prever, num quadro tão nebuloso.

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