O silêncio eloquente de Regina Duarte sobre Rubem Fonseca e Moraes Moreira
Em três dias, o Brasil perdeu dois nomes de importância
inquestionável na cultura nacional: o compositor Moraes Moreira, que morreu na
última segunda-feira, 13, e o escritor Rubem Fonseca, nesta quarta-feira, 15.
Nas redes sociais, políticos, artistas e editoras divulgaram notas oficiais. A
secretária de Cultura, Regina Duarte, responsável por promover as políticas na
área, aparentemente não se comoveu com as perdas. O que reinou foi o silêncio
absoluto. Nenhuma nota de pesar foi emitida nas redes oficiais da secretaria ou
no perfil da atriz.
Vitrine para se manifestar não faltaria: a secretária, que
tomou posse no início de março, é muito ativa nas redes. Nos últimos dias, usou
o Instagram para dar bom dia aos seguidores, desejar feliz aniversário à filha,
compartilhar fotos de bichinhos fofos e até mesmo tecer críticas à imprensa.
Não lhe sobrou tempo, porém, para lamentar a morte dos artistas cuja obra é
parte incontornável da cultura nacional. Não que ela seja obrigada a isso –
como atriz, Regina não deve nenhuma satisfação quanto ao que posta em suas
redes sociais. Como secretária da Cultura, no entanto, seria de bom tom ao
menos divulgar uma nota de pesar.
Moraes Moreira fez história na música nacional ao formar com
os amigos Pepeu Gomes, Baby do Brasil, Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Luiz
Galvão o grupo Novos Baianos. Em carreira solo, lançou músicas essenciais da
MPB e revolucionou o Carnaval da Bahia. Rubem Fonseca é um dos maiores nomes da
literatura nacional e fez história ao retratar o pior e o melhor do Brasil em
uma vasta obra de estilo cru e telegráfico – para se ter ideia de seu tamanho,
há quem compare sua contribuição à de Machado de Assis.
Nesse contexto, vale resgatar o discurso de Regina em sua
cerimônia de posse, quando afirmou que “a cultura de um país é a sua alma, seu
passado, seu presente, seu futuro”. Se a cultura é a alma de um país, o que
significa seu silêncio perante a morte de dois nomes tão significativos da arte
brasileira?
Em tempo: os governos estaduais de São Paulo e de Minas
Gerais divulgaram nota de pesar pela morte de Rubem Fonseca. “Nossa literatura
perdeu um de seus maiores nomes. Ficarão para sempre em nossas memórias seus
romances e contos. E sua capacidade singular de retratar o Brasil e os
brasileiros”, diz a nota de São Paulo. Em Minas Gerais, terra de Fonseca, a
nota destacou a obra do escritor, considerando-o um dos “maiores cronistas
brasileiros”.
O governo baiano também não esqueceu um de seus mais
ilustres filhos e, em uma extensa nota, lamentou a perda de Moraes Moreira,
dizendo que ele deixa um legado “indissociável da história da Axé Music e do
carnaval moderno”.

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