Não existe “plano estatal” do governo para fazer a economia
andar se e quando passar a epidemia. Não existe plano Jair Bolsonaro de
“resgate do Estado”. Não existe um programa baseado na “retomada do
investimento público”. Não existe um programa baseado na “retomada do
investimento público”.
Algum plano de reativação econômica será necessário, no
entanto. Quem, de antemão, faz campanha liberaloide para dinamitar a ideia já
pode apresentar suas projeções de como e quando a economia vai se recuperar da
depressão só com investimento privado. Vai ser o caso de um morto que tenta se
levantar puxando os cabelos.
Ainda que se gastassem R$ 16 bilhões extras por ano, até
2022, o plano mal existiria como “resgate do Estado” ou mesmo com medida de
estímulo relevante.
Essa estimativa de despesa pública extra, que deve ser
apresentada na reunião ministerial desta sexta (24), é café pequeno perto das
necessidades da economia arruinada.
O Ministério da Economia vai cair matando na proposta dos
“pragmáticos”: Braga Netto (Casa Civil), Rogerio Marinho (Desenvolvimento
Regional) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).
Esse dinheiro seria pouco até para reanimar aquele país que,
antes da epidemia, se arrastava ao ritmo de crescimento de 1% ao ano, desde
2017. R$ 16 bilhões equivalem a uns 5% do gasto extra do governo federal, até
agora, para aliviar a ruína em curso.
No entanto, a mera e vaga sugestão de que será necessário um
programa de reativação econômica causa as reações estereotipadas de costume.
“É o PAC”, “é Dilma 3”, eram as piadas tolas. É acabar com o
“ajuste fiscal”. Que ajuste? Mesmo sem epidemia, teríamos déficit até o Dia de
São Nunca de Tarde. “O investimento terá de ser privado.” Que investimento?
Aquele que não aparecia até fevereiro de 2020?
Ataca-se um espantalho oco (essa tolice de “Marshall”) sem
discutir um fracasso executivo e econômico (reformas microeconômicas e fiscais)
e sem que se pense como se vai tirar o país da pior depressão da história de
que se tem registro.
Para começar, antes de falar em reconstrução, mal se tomaram
as medidas de economia de guerra: 1) fabricação de equipamentos e financiamento
da saúde; 2) proteção de micro, pequenas e médias empresas, que fecham aos
montes; 3) fazer o crédito fluir para as empresas mais remediadas.
Restaurantes, serviços pessoais, entretenimento, esporte,
turismo, aviação, entre outros, serão setores que, com sorte, mal e mal sairão
da tumba.
A retomada será lenta porque haverá milhões de baixas,
desempregados e falidos, porque os cuidados com a epidemia devem criar
ineficiências e porque a confiança e as poupanças estarão no chão ou debaixo da
terra.
Alguém pode argumentar que, com descontrole da doença e um
morticínio grande, se pode criar imunidade em massa, um país livre para ser
reaberto e passear sobre cadáveres.
Um plano de reativação da economia ou de colocar dinheiro
certo em obras certas é complexo. Vem dando errado pelo menos desde 2010.
Bancar essa conta é difícil, mas achar que a dívida será paga com décadas de
controle de gasto, apenas, parece hipótese heroica, para dizer o mínimo. Algum
financiamento monetário do governo (“imprimir dinheiro”) pode ser em parte
inevitável e é incerto que cause inflação.
Como fazê-lo é questão para economistas. Achar que
voltaremos, sem mais, a esse passado recente (de resto fracassado) de ajuste e
se recusar a pensar um problema catastroficamente novo é brincar com o risco de
convulsão social e política, além de obnubilação intelectual.

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