Mudança de planos na Justiça mostra temor ao STF
Jair Bolsonaro decidiu recuar de duas apostas que pretendia
fazer, de uma só vez, no truco às instituições, nomeando de uma só tacada dois
“brothers” dos filhos para funções-chave na área de Justiça e segurança pública
no momento em que o Supremo Tribunal Federal fecha o cerco sobre ele. Seria
ousadia demais até para um presidente que se quer anti-establishment.
Decidiu deixar onde está Jorge Oliveira, o “Jorginho”, filho
de um amigo da vida toda, ex-assessor dos gabinetes de dois dos Bolsonaros,
Jair e Eduardo, ex-major da Polícia Militar que resolveu fazer Direito quando
era assessor parlamentar, cursou uma faculdade particular de Brasília sem
nenhuma reputação e se formou há um par de anos.
Em vez de Jorginho, quem vai para o lugar de Sérgio Moro é o
advogado-geral da União, André Mendonça, que já tem interlocução mais avançada
com ministros do STF, por ser um funcionário de carreira da própria AGU e por
fazer a defesa da União junto à corte. É considerado pelos ministros mais
preparado do ponto de vista jurídico, e menos carimbado como alguém da cozinha
do bolsonarismo.
Aliviando a aura familiar da nomeação na Justiça, Bolsonaro
parece raciocinar que ganha o “direito” de colocar Alexandre Ramagem na Polícia
Federal, como pretendia. O ex-chefe de sua segurança durante a campanha, amigão
de Carlos Bolsonaro e inexperiente em cargos de chefia na hierarquia da PF vai
assumir já tendo a pecha de alguém que chega para aliviar a barra para o clã
Bolsonaro e o gabinete do ódio no inquérito das fake news, tentar reabrir a
investigação da facada contra Bolsonaro em 2018 e designar superintendentes
afáveis ao gosto do presidente.
Afinal, foi esse o roteiro traçado pelo próprio Bolsonaro,
em pronunciamento ao lado de todos os ministros, na última sexta-feira, do que
considera suas prerrogativas junto ao chefe da PF.
Alexandre Ramagem é nomeado diretor-geral da PF
A mesma edição do Diário Oficial da União que traz a nomeação de André Mendonça ao Ministério da Justiça e Segurança Pública também traz a nomeação do delegado Alexandre Ramagem, que era chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Ele assume na vaga deixada na última sexta por Maurício Valeixo.
A mesma edição do Diário Oficial da União que traz a nomeação de André Mendonça ao Ministério da Justiça e Segurança Pública também traz a nomeação do delegado Alexandre Ramagem, que era chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Ele assume na vaga deixada na última sexta por Maurício Valeixo.
A indicação de Ramagem já vinha recebendo várias críticas de
diversos setores da sociedade pela proximidade do delegado com a família
Bolsonaro. Ele é amigo pessoal do vereador Carlos Bolsonaro, filho do
presidente Jair Bolsonaro.

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