DIÁRIO DA CRISE
CXXXVIII
A explosão no Líbano dominou esta terça-feira. São imagens
impressionantes, hipnóticas. Não revelam o sofrimento que provocaram em
milhares de pessoas.
Pobre Líbano. Isto atinge à diáspora libanesa, sobretudo no Brasil.
Há tantos libaneses no Brasil quanto no Líbano.
Sou descendente de libaneses. Meus avós eram cristãos, minha
avó tinha uma cruz tatuada na testa.
Quando deputado, reunimos os descendentes de libaneses no
Congresso Era uma bancada enorme, maior que um partido.
Vamos esperar para saber o que aconteceu. Dizem que foi a
explosão num depósito de fogos de artificio. Duvido. Explosão em depósito desse
tipo não é tão forte.
Havia algo pesado lá. Ou então foi jogado algo pesado lá.
Provalmente as duas coisas: algo pesado para destruir bombas. Pelo menos é esse
o boato em Beirute. Um bombardeio israelense em depósitos de armas do
Hezbollah.
Aqui no Brasil o fogo arde na Amazônia e no Pantanal. O
Ministro do Meio Ambiente fala em reduzir a área de proteção na Amazônia.
É duro conviver com essa política. Sinto que vão destruir
muito de nossas riquezas. Não todas, espero.
Por enquanto, vamos acompanhar o Líbano, combalido pela crise
econômica, pandemia, tendo de se reconstruir depois da tragédia.
A vida é dura. Tivemos algumas décadas mais tranquilas, mas
parece que agora tudo se precipita. Em final de agosto, teremos mais de cem mil
mortos só com o coronavirus.
Pelo menos há sol. Em São Felix do Araguaia, o Bispo dom
Pedro Casaldaliga está muito doente. É uma figura lendária na região, poeta,
defensor dos humildes.
Está tão doente que os médicos não querem transportá-lo de
lá.
Não há notícias na imprensa. Muitos grandes homens e mulheres
morrem em silêncio: escapam ao radar da imprensa.

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