Entre tantos desafios que o país tem pela frente diante da
pandemia da COVID-19, que já nos levou mais de noventa mil vidas brasileiras,
temos programadas eleições municipais em 2020.
Numa atitude sensata, o Congresso Nacional aprovou emenda
constitucional adiando o primeiro turno para 15 de novembro e o segundo para 29
de novembro, confiante que até lá a curva de contaminação e óbitos tenha cedido
substancialmente.
Sempre achei que o poder local é o mais importante na
determinação da qualidade das políticas públicas. Acesso à saúde, qualidade do
ensino, habitação, saneamento, mobilidade urbana, meio ambiente,
desenvolvimento social são tarefas que se definem no concreto na instância
municipal. O governo federal induz políticas, cuida de questões gerais como
política econômica, defesa nacional e relações exteriores, mas aquilo que
interessa às pessoas é bem ou mal executado no plano municipal. Os governos
estaduais concentram a política de segurança pública, apoiam os municípios, mas
a interface direta com os cidadãos é feita na esfera municipal.
O poder local é o mais próximo da população e o controle
social sobre a ação pública é muito maior. A centralidade do poder local foi
realçada ao extremo na gestão do combate à pandemia.
A eleição de 2020 será completamente diferente de todas as
outras. Tudo indica que a onda devastadora do “novo pelo novo” contra a “velha
política” perderá força. Atributos clássicos que sempre foram importantes –
experiência, competência, capacidade de formar e liderar equipes, conhecimento
sobre políticas públicas – tendem a ser revalorizados.
Em boa hora, o Congresso Nacional ampliou o horário
eleitoral de rádio e TV de 10 para 15 minutos diários o programa e de 70
minutos para 100 minutos diários as inserções durante a programação. Isto por
que o combate à COVID-19 e o necessário distanciamento social impedirão o uso
intensivo de ferramentas clássicas como comícios, grandes reuniões, presença
dos candidatos no trabalho de porta em porta, visitas domiciliares, etc.
Surgiu logo uma crítica ao Congresso Nacional, que julgo
equivocada e precipitada, alegando que as redes sociais supririam a necessidade
dos candidatos se comunicarem com o eleitor. Ledo engano, está provado que as
redes sociais operam em “bolhas”, cada um pregando para convertidos ou sendo
objeto de violenta ação de adversários, que não visam o diálogo, mas a
desconstrução de imagem.
Principalmente a disputa majoritária para prefeito produz a
decisão coletiva a partir da comparação entre os candidatos. O candidato que já
tem 90% de conhecimento na população não teria tantos problemas, por já ter
construído uma imagem, positiva ou negativa, junto às pessoas. Mas um candidato
novo precisa se tornar conhecido, depois respeitado, mais à frente admirado, e
assim se habilitar a conquistar o voto de confiança dos eleitores. As redes
sociais são inegavelmente importantes, mas não substituem a televisão e o
rádio. Tanto que a audiência cresce nos últimos dias quando uma parcela enorme
da população mais despolitizada procura se informar para definir o voto a
partir da comparação entre o conjunto de candidatos.
O importante é que façamos boas escolhas. O Brasil vive uma
crise dramática e aos futuros prefeitos e vereadores cabe papel essencial na
construção do Brasil pós-pandemia.
*Marcus Pestana, foi deputado federal (PSDB-MG)

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