O ministro Edson Fachin cassou a liminar de Dias Toffoli que
obrigava a Lava-Jato a enviar informações sigilosas para a Procuradoria-Geral
da República. A decisão não influi apenas na guerra interna do Ministério
Público Federal. Na prática, também antecipa o fim da Era Toffoli no Supremo
Tribunal Federal.
Toffoli assumiu a presidência da Corte em 2018, depois de um
período marcado por crises na gestão da ministra Cármen Lúcia. Ele prometeu
pacificar o Supremo e reduzir o protagonismo do Judiciário. Não fez uma coisa
nem outra. O tribunal continuou dividido, e agora vive em tensão permanente com
o governo.
O presidente da Corte buscou se aproximar de Jair Bolsonaro.
Não convenceu o Planalto a baixar as armas e ainda se desgastou com parte dos
colegas. Os ministros que enfrentaram a ofensiva autoritária tiveram que se
defender sozinhos. Enquanto Toffoli frequentava o palácio, eles eram alvejados
pelas milícias virtuais.
No mês passado, o presidente do Supremo abriu novas frentes
de atrito. Em seu último plantão no cargo, ele concedeu uma série de decisões
favoráveis a figurões sob investigação. Soltou Geddel Vieira Lima, barrou uma
operação contra José Serra, suspendeu o processo de impeachment contra Wilson
Witzel e arquivou inquéritos contra ministros do STJ e do TCU.
Para completar, Toffoli tomou partido do procurador-geral
Augusto Aras em sua cruzada contra a Lava-Jato. Ao suspender o compartilhamento
de dados da força-tarefa no primeiro dia após o recesso, Fachin mostrou seu
descontentamento. E ainda abriu caminho para a derrubada de outras decisões do
plantão.
Com o fim das férias de inverno, o presidente do Supremo
volta a dividir poder com os outros dez ministros. Os holofotes se viram para
Luiz Fux, que assumirá a chefia da Corte em 10 de setembro.
Em princípio, a nova gestão tende a ser mais alinhada com a
Lava-Jato. Numa célebre mensagem para o procurador Deltan Dallagnol, revelada
pelo Intercept, o então juiz Sergio Moro escreveu “In Fux we trust” (“Em Fux,
nós confiamos”). Mas há ministros que se transformam ao assumir a presidência
do tribunal.

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