No vale-tudo de Paulo Guedes (Economia) para desinterditar o
debate sobre a recriação da CPMF, o ministro usa técnicas de um diversionismo
pouco sofisticado para sugestionar a opinião pública, majoritariamente
contrária ao novo (antigo) tributo.
Nas investidas mais recentes, o economista de Jair Bolsonaro
vincula a instituição do imposto, a um só tempo, à desoneração de 25% da folha
de salários das empresas, à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e
ao financiamento de parte do novo Bolsa Família (Renda Brasil).
Com as finanças públicas exauridas, Guedes não abre mão do
dinheiro grosso que poderia amealhar com uma alíquota mínima de 0,2%: R$ 120
bilhões. Há planos por uma taxação de até 0,4%. Joga iscas ao empresariado, à
classe média e à população de baixa renda para capturar o mundo político
—atmosfera na qual nunca orbitou.
Por inabilidade ou dissimulação, a equipe econômica insiste
não se tratar de reempacotamento da CPMF, pois o novo tributo incidiria sobre
pagamentos, sobretudo compras no e-commerce. Das falas desencontradas e dos
vazamentos seletivos de informações, conclui-se, porém, que a intenção vai além
de criar um “imposto do Rappi”, restrito ao ambiente digital, de cunho moderno
e elitizado.
Pagamentos de qualquer tipo, compras inclusive em dinheiro,
estariam sujeitos à tributação devido ao registro digital —hoje válido até para
o pãozinho na padaria. Impostos sobre transações vigoram atualmente apenas em
uma dúzia de países, como Paquistão, Venezuela, Argentina e Sri Lanka.
A aversão do Congresso é liderada por Rodrigo Maia, para
quem a contribuição trava a economia: “Minha crítica não é se é CPMF, se é
microimposto digital, se é um nome inglês para o imposto para ficar bonito,
para tentar enrolar a sociedade”. A despeito das reações, com o centrão a tiracolo
e sem mover um músculo, Bolsonaro autoriza Guedes a se aventurar mais uma vez
na busca por apoio.

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