A entrevista de Flávio Bolsonaro ao GLOBO encheria um
almanaque de histórias da carochinha. O senador nem se esforçou para tentar
explicar o inexplicável. Deu versões que fariam corar o ex-deputado Paulo
Maluf, aquele que jurava não ter dinheiro no exterior.
O Ministério Público descobriu que o sargento Diego Ambrósio
pagou um boleto de R$ 16,5 mil em nome da mulher do primeiro-filho. Por que um
PM ajudaria o parlamentar a quitar seu imóvel? Resposta do Zero Um: os dois se
encontraram num churrasco, a prestação “estava para vencer” e ele não queria
deixar a carne no prato. Sensibilizado, o policial teria se oferecido para
abater a dívida. Amigo é para essas coisas.
Os repórteres Paulo Cappelli e Thiago Prado quiseram saber
por que o faz-tudo Fabrício Queiroz pagava o plano de saúde e a escola das
filhas de Flávio. Mais uma vez, a explicação foi singela. “Eu pego dinheiro
meu, dou para ele, ele vai ao banco e paga para mim”, disse Flávio. Tudo
normal, salvo a anormalidade de Queiroz ter recebido repasses de ao menos 13
assessores do chefe.
O senador também não se preocupou em justificar o fato de o
ex-PM ter sido preso na chácara do seu advogado. Ele jurou que não conhecia o
esconderijo e reconheceu que “isso não podia ter acontecido”. No entanto,
alegou que não houve “crime nenhum”. Nas palavras do primeiro-filho, a operação
para ocultar Queiroz “foi um erro”, mas não teve “nada de errado”. Ah, bom!
O Zero Um ainda abusou da boa-fé dos leitores ao falar da
sua fantástica loja de chocolates. Como explicar o volume de pagamentos em
espécie que chamou a atenção dos investigadores? “Se a pessoa chega com
dinheiro para comprar, eu não vou aceitar?”, desconversou o dublê de senador e
comerciante. Pequenas empresas, grandes negócios.
Em outras passagens da entrevista, Flávio escancarou o
divórcio da família com a Lava-Jato e defendeu o casamento com o centrão, que
seu pai já definiu como “o que há de pior” na política. Ele também elogiou a
proposta da nova CPMF. Neste ponto, é possível que tenha sido sincero. O
imposto não vai incomodar quem paga as despesas em dinheiro vivo.

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