Na terça-feira 18 de junho do ano passado, Jair Bolsonaro
pediu ao ministro Luiz Henrique Mandetta “a cabeça” de “esquerdistas” do
Ministério da Saúde. À tarde, o deputado Helio Lopes (PSL-RJ) entregou a
Mandetta a lista de “suspeitos”. Foi a primeira intervenção presidencial direta
na gestão da Saúde.
Nove meses depois, quando o Brasil contava duas centenas de
mortos, o ministério havia estabelecido com estados e municípios uma
coordenação sobre a pandemia. Mas Bolsonaro decidiu intervir na Saúde.
Na segunda-feira 16 de março, decretou todo o poder à Casa
Civil da Presidência na definição das “prioridades” contra o vírus. Nomeou 27
pessoas — ministros (20), presidentes de bancos públicos (4), especialistas da
Saúde (2) e advogado (1).
O “Comitê de Crise” do Planalto completará cinco meses na
próxima semana, com o país ultrapassando 100 mil mortos num quadro de
descontrole da doença. É impossível saber quantas mortes seriam evitáveis. É
certo, no entanto, que dois ministros e 80 dias depois de um general no papel
de interino, a intervenção de Bolsonaro na Saúde resultou na perda de comando
da crise. É evidente a calamidade gerencial no governo.
Não falta dinheiro. Ministério Público e Tribunal de Contas
tentam desvendar mistérios em torno de despesas (R$ 912 milhões) em aventais,
toucas e álcool em gel, ou em “atendimento pré-clínico remoto” (R$ 144
milhões).
Há meses pedem explicações sobre a lentidão nos repasses
federais (R$ 13,8 bilhões) aos estados e municípios. Também não conseguem
entender por que o Rio, com alta taxa de mortalidade, tem recebido menos
recursos per capita (R$ 30) do que Roraima (R$ 108,39).
Bolsonaro finge que não é com ele, repassa a culpa a
governadores e prefeitos e segue na campanha pela reeleição. Mas o funesto
pandemônio governamental na pandemia tem suas digitais na autoria, além da
assinatura estampada no Diário Oficial.

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