Ministro de Bolsonaro
faz acordo com a PGR, admite caixa 2 e aceita pagar multa para se livrar de
processo
A Procuradoria-Geral
da República (PGR) encaminhou ao Supremo
Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 3, um acordo sigiloso
assinado com o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni,
em que o político confessa ter cometido o crime de caixa 2. Ele se comprometeu
a pagar R$ 189.145,00 como multa para que a investigação seja encerrada.
O acordo de não-persecução penal (ANPP) ainda precisa ser
analisado pelo relator do caso no Supremo, ministro Marco Aurélio Mello, para
ter sua validade confirmada. Se homologado, impedirá Onyx de ser punido e
enquadrado na Lei da Ficha
Limpa, a qual estaria sujeito caso a investigação resultasse em
condenação.
Trata-se da primeira vez que a PGR assina um acordo deste
tipo, que foi introduzido na legislação brasileira após a sanção do
chamado pacote
anticrime, proposto pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro no
ano passado. O modelo aprovado pelo Congresso, no entanto, é baseado numa proposta
do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.
Pela lei, esse encaminhamento jurídico é permitido em certos
tipos de crimes quando a pena mínima é inferior a quatro anos, ‘desde que
necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime’.
Onyx Lorenzoni admitiu ter recebido doações não
contabilizadas do grupo que controla a empresa JBS em valores somados de R$ 300
mil, sendo R$ 100 mil nas eleições de 2012 e R$ 200 mil nas eleições de 2014. O
caixa 2 foi revelado nos acordos de colaboração premiada de delatores da JBS.
Logo após a delação da JBS sair, em maio de 2017, Onyx
Lorenzoni admitiu ter recebido apenas um dos dois pagamentos, o de R$ 100 mil,
e negou o outro. Na ocasião, ainda deputado federal, ele pediu desculpas. O
fato foi lembrado por Moro, ex-juiz da Lava Jato, pouco após ter sido convidado
para o cargo, quando foi questionado sobre a delação que atingia o futuro
colega de ministério. “Ele já admitiu e pediu desculpas”, disse na ocasião.
A investigação sobre
o caso estavam em um impasse, uma vez que faltava o Supremo decidir sobre um
recurso da defesa que buscava impedir o envio do caso à primeira instância.
Os R$ 189 mil correspondem a nove salários líquidos do
político. A Procuradoria-Geral da República não informou como se chegou a esse
valor de multa.
Nos bastidores da PGR, o caso é descrito como importante e
pode ser o primeiro de outros acordos de não-persecução penal que o órgão
espera firmar.
Daniel Bialski, advogado de Onyx Lorenzoni, disse que
aguarda a confirmação do acordo pelo Supremo. O advogado afirmou que o ministro
da Cidadania utilizará um empréstimo para fazer o pagamento, aguardando por
enquanto a decisão do relator na Corte, ministro Marco Aurélio Mello.
“Diante da nova legislação processual e com a intenção do ministro em solucionar isso de uma vez por todas, foi postulado junto à PGR o acordo de não-persecução penal. Agora esperamos que o Supremo homologue o acordo e a causa seja extinta”, disse o advogado de Onyx.

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