Olhando a relação dos ministros do próximo governo Lula, consta a participação de 9 partidos. Como o Podemos foi convidado a participar e não aceitou, concluo que só o PL, partido de Bolsonaro, não poderia, por óbvio, fazer parte do novo governo Lula.
Lembrei do ex-governador Brizola, que, ao rivalizar com a própria esquerda, dizia: “Essa é a esquerda que a direita gosta…!”. Como, em nome da governabilidade, a esquerda precisa compor com a direita, me pergunto de qual direita a nossa esquerda gosta. Sim, assim como tem muitas esquerdas também tem muitas direitas.
Tradicionalmente, tínhamos basicamente duas esquerdas, a revolucionária e a reformista. O reformismo visto com desconfiança pela nossa esquerda. O PSDB tentou ser um partido reformista, social-democrata, mas, hoje, ironia da história, essa característica está passando para o seu concorrente, o PT.
Depois do regime militar a direita ficou, digamos, enrustida, encabulada. Hoje não, temos agora uma direita assumida e uma extrema-direita militante, barulhenta. Os liberais, que na América Latina, por terem se aliado com as piores ditaduras, não são vistos como progressistas. Mas, agora, existe também o liberalismo popular, tanto é que economistas liberais têm feito parte de governos do PT. O Programa Bolsa Família é tipicamente liberal. Tem a direita conservadora, atormentada com a pauta identitária ou dos costumes. E tem aquela direita autoritária, extremista, que tem horror a toda e qualquer pressão ou reivindicação popular.
É Assim, na prática os interesses programáticos não contam, sobra apenas a negociação de interesses específicos e de arranjos para se chegar à tal da governabilidade. Felizmente, a cada eleição o número de partidos no Congresso está se reduzindo graças à crescente cláusula de barreira para acesso ao fundo partidário. A definição ideológica e programática dos partido s deverá ficar com o tempo mais clara aos olhos dos eleitores.
O PSD, do governador Ratinho, que se manteve neutro na campanha para presidente, tem agora três ministérios, inclusive o da agricultura que muito interessa ao Paraná. É um partido de direita que, agora “lulando”, tende a ir para o centro. Falta, sem dúvida, um partido do chamado centro democrático. Será que o PSB vai agora, tendo a vice-presidência, puxar “essa direita que a esquerda gosta…”?
* Christophe de Lannoy é eng. agr., mestre em Desenvolvimento Rural. Presidente da Cooperpinhais muito partido para governar!

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