Bolsonarista, PM preso com arsenal ilegal foi candidato a deputado pelo PP em Tocantins
Sargento da PM e diretor de 18 clubes de tiros, Joemil Miranda da Cunha é investigado em um esquema que vendia armas de CACs e registava boletins de ocorrência de que os artefatos teriam sido furtados.
Preso nesta quarta-feira (3) com um arsenal que seria comercializado em um esquema ilegal de venda de armamentos a grupos criminosos, o sargento da Polícia Militar de Tocantins (PM-TO), Joemil Miranda da Cunha, é apoiador radical de Jair Bolsonaro (PL) foi candidato a deputado federal em 2022 pelo PP no estado.
Jota Cunha, como é conhecido, foi preso durante a operação Clandestino, da Polícia Civil do Estado, que investiga um grupo criminoso de atiradores esportivos que vendiam suas armas em mercado paralelo e depois abriam boletim de ocorrência para registrar um falso furto ou roubo.
Além do militar, foram alvos da operação outras 14 pessoas, a maioria CACs - sigla para Colecionador, Atirador e Caçador -, entre elas um empresário e um agente administrativo do sistema penal.
Durante a operação, agentes da Delegacia de Repressão a Roubos (DRR) de Araguaína apreenderam ao menos 14 armas de diversos calibres, além de centenas de caixas de munições.
A investigação teve início em 2023, quando um dos investigados registrou boletim de ocorrência pela internet sobre furto de duas armas e munições. A polícia civil, no entanto, descobriu que não houve furto e que as armas teriam sido vendidas no mercado ilegal.
Troca de mensagens
Na investigação a polícia flagrou troca de mensagens de áudio via WhatsApp em que os membros do grupo criminoso combinam o esquema de venda ilegal da arma. Um deles, fala do medo de ser preso e é acalmado por outro membro da quadrilha. A Polícia não identificou de quem são as mensagens.
"Fui lá. Pra saber o negócio como é que tinha sido e tal, entendeu. Se tinha sido tudo certo. Diz que vão pra poder pedir não sei o que d*** para ver se acha as imagens para ver se vê o ladrão", diz um dos investigados.
"O meu Deus do céu. Tão muito interessadinho. Sai fora! Dá em nada não. Falei que isso não ia dar em nada", rebate outro.
"Medo de quê moço, acalme seu coração. Medo de quê? Dá nada, pô...", emenda. "Aí é fazer aquele velho procedimento, vender e fazer o boletim de ocorrência", diz outro membro, sobre o esquema.
Em outro áudio, um dos investigados fala do medo de que o esquema seja descoberto.
"Se cair, isso aí é arma restrita, eu acho que não tem nem fiança para essas 'bicha' aí. Não vai ficar preso não, mas tem que se virar pra lá, porque se pegar 'nóis', tamo f***, ó. O único medo que eu tenho não é nem de vender, é que se esses cara cair. Com fé em deus que isso não vai acontecer, mas aí é só sustentar a mesma coisa, falar a mesma coisa, não fica mudando de discurso não".
Candidato bolsonarista
Sargento da PM de Tocantins, com salário de mais de R$ 10 mil, Jota Cunha se identifica nas redes sociais como "diretor de 18 clubes de tiro" e fez campanha a deputado federal em 2022 sobre a pauta da liberação das armas de Jair Bolsonaro.
"JCunha21 é Bolsonaro - Em busca de mudança", dizia o slogan usado pelo PM na campanha de 2022.
Nas redes, o militar ainda mantém perfis de seus cursos de tiro.
Em nota, a PM-TO afirma que "já adotou as medidas preliminares para apuração interna e está acompanhando o caso". A corporação acompanhou a operação e informou ainda que JCunha "permanece preso em uma Unidade Policial Militar na cidade de Araguaína e à disposição da justiça".
"A Corregedoria da Instituição acompanha e apoia a operação desde a manhã de hoje, quando foi cumprido mandado de busca e apreensão. Desde então foram adotadas as medidas preliminares para apuração interna e prestandas todas as informações necessárias à Polícia Civil".

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