quinta-feira, 4 de abril de 2024

SENHOR DAS ARMAS

Plínio Teodoro, Fórum

Ex-militar e presidente de federação de CACs é alvo da PF por tráfico internacional de armas

Ex-tenente do Exército, o advogado Fernando Humberto Henrique, que foi testemunha de defesa de Ronnie Lessa no caso Marielle Franco, usava empresa de cinema para contrabandear armas dos EUA.

Ex-tenente do Exército, acusado de desvio de armas, e presidente da Federação de Tiro e Caça no Brasil, uma das maiores instituições que aglutina os chamados CACs - Caçadores, Atiradores e Colecionadores.

Essa é apenas uma parte do curriculo do advogado Fernando Humberto Henrique, alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), desencadeada nesta quinta-feira (4), contra uma organização criminosa acusada de usar uma empresa de fachada de cinema para traficar armamento dos EUA para o Brasil.

Condenado pela Justiça Militar por calúnia em 2015 e alvo de uma investigação sobre desvio de armas ilegais de CACs apreendidas pelo Exército em 2020 - que iam parar nas mãos de grupos criminosos -, o ex-tenente ainda têm em seu curriculo a atuação como testemunha de defesa no julgamento de Ronnie Lessa, réu confesso de ter executado a vereadora Marielle Franco em 2018.

Segundo a Polícia Federal, a investigação foi iniciada com base em informações da Receita Federal, que revelaram que o grupo importava material bélico de forma irregular e contratou uma empresa do ramo de efeitos cinematográficos para armazenar clandestinamente os armamentos, sob a premissa de estar lidando com materiais de efeito não lesivo destinados ao serviço de show pirotécnico.

Em janeiro, a polícia de Miami apreendeu um arsenal da organização que teria como destino o Brasil. 

"Na ocasião, foram apreendidos: 261 carregadores de alta capacidade, geralmente *utilizados por milicianos e traficantes para exercer domínio territorial, visto que comportam até 90 munições de grosso calibre e alto poder destrutivo; e 88 acessórios de conversão de armas de fogo chamados de “Kit Roni”, que conferem maior estabilidade e precisão ao armamento, assim como transformam armas semiautomáticas em armas automáticas ou que disparam rajadas de tiros", diz a PF em nota.

Os agentes cumprem seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro, em endereços residenciais localizados nas cidades do Rio de Janeiro, Curitiba e Maringá, ambas no Paraná.

Senhor das Armas

Em 2020, Fernando Humberto Henriques saiu livre do depoimento como testemunha de Ronnie Lessa no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) mesmo com um mandado de prisão expedido contra ele pela Justiça Militar, que o condenou a um ano e quatro meses de prisão por calúnia contra o então diretor de fiscalização do Exército, em Brasília. 

Na oitiva, o ex-tenente se apresentou como perito em armas, com experiência de mais de 25 anos em feiras internacionais, e disse que a arma usada para assassinar a vereadora e o motorista, Anderson Gomes não seria uma submetralhadora MP5, conforme atestou a perícia.

"Pra mim não é uma MP5 porque MP5 é tiro agrupado e é a melhor metralhadora do mundo. Pra mim isso aqui é uma Uzi ou é uma Glock. Pode ter sido uma Glock, uma Taurus, uma bereta,. uma smith wesson, que é muito parecida (...) Lambança porque o tiro tá todo espalhado. São 10 tiros que ele me mostrou aí, dez espalhados... Se fosse a MP5 estaria tudo concentrado", disse à época.

Segundo Élcio de Queiroz, que dirigiu o carro que levou Lessa à cena do crime, arma foi extraviada após um incêndio na sede do Bope, onde o ex-PM atuou.

Como expert no setor, Fernando montou ao menos seis empresas entre clube de tiros e vendas de armamentos e equipamentos de defesa.

O advogado chegou a vender armas para o Senado Federal, como "sócio-gerente" da empresa Militaria Comércio e Importação Ltda, situada no Rio de Janeiro.

No contrato, assinado em 2007, o ex-tenente se comprometeu a entregar mais de 10 mil dólares em equipamentos de equipamentos à casa legislativa.

Bookmark and Share

Nenhum comentário:

Postar um comentário