Presença do crime organizado nas instituições também
influi na piora do desempenho
O Brasil está empatado com Argélia, Nepal, Tailândia, Maláui
e Níger no Índice de Percepção da Corrupção (IPC)
da Transparência Internacional. Exibe a pontuação 34, sua pior posição e nota
desde 2012, o começo da série histórica. Está nove pontos abaixo da média
global e oito abaixo da média das Américas. Mesmo assim, espanta que o país não
tenha caído ainda mais quando se sabe que a Polícia
Federal investiga uma empresa suspeita de fraude em licitações
contratada pela própria Polícia Federal.
A principal evidência de corrupção, segundo
a Transparência Internacional, é a presença cada vez maior do crime organizado
nas instituições estatais. O assassinato do delator do PCC Vinicius
Gritzbach foi mais do que um aviso. As investigações resultaram na
prisão ou afastamento de nove integrantes da Polícia Civil de
São Paulo; e a Corregedoria indiciou 17 policiais militares.
Há outro fator que, por enquanto, deixa visível apenas a
ponta do iceberg: o descontrole no pagamento das emendas
parlamentares. Os valores são, como nas atrações circenses, incríveis,
fantásticos, extraordinários: mais de R$ 148,9 bilhões em cinco anos. Sem
transparência ou rastreamento.
Os casos têm pipocado aqui e ali, mas devem crescer à medida
que a PF aprofundar as investigações. A existência do corretor de emendas, com
prefeituras pagando a funcionários de gabinetes da Câmara e do Senado para
ajudá-las a receber as verbas sob responsabilidade de seus chefes, já era
conhecida. Agora descobriram os vendedores de emendas.
O ministro do STF Cristiano
Zanin determinou que a denúncia contra os deputados federais Josimar
Maranhãozinho e Pastor Gil, ambos do PL do Maranhão, além do suplente Bosco
Costa (PL-SE), seja incluída na pauta de julgamento do Supremo. Os três são
acusados de pertencer a uma organização que fazia ameaças com armas para
comercializar os recursos públicos.
Só a apuração sobre o esquema liderado pelo empresário
conhecido como Rei
do Lixo acumula 54 celulares e 33 computadores. Um mundo a ser
periciado.

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