Credibilidade das Forças Armadas despenca e 72% não confiam
nas instituições militares, diz pesquisa
Confiança dos Brasileiros nas Forças vem caindo de forma
abrupta desde abril de 2023, na esteira das investigações sobre tentativa de
golpe em janeiro daquele ano
No ano do julgamento da tentativa de golpe, a dias do
parecer da PGR sobre os golpistas e na véspera da ida do presidente Lula a uma
cerimônia da Marinha no Rio, nesta segunda-feira, pesquisa Atlas apontou que
72% dos ouvidos não confiam nas Forças Armadas. Mesmo militares que consideram
esse porcentual exagerado admitem que a imagem da instituição vem sofrendo
desgaste e que nenhum outro presidente foi tão pernicioso para as FA do que o
capitão insubordinado Jair Bolsonaro.
“Quando a política entra por uma porta no quartel, a ordem e
a disciplina saem pela outra”, diz a máxima jogada no lixo por Bolsonaro, que
entupiu o Planalto de generais e acentuou privilégios da carreira que um dia
foi a sua. Enquanto “comprava” militares no varejo, ele infiltrava a política
nos comandos e nas tropas de uma forma jamais vista após a redemocratização.
O presidente Lula, que não tinha motivo
para ser amigão de generais, brigadeiros e almirantes, soube conviver muito bem
com eles nos seus dois primeiros mandatos e investiu no atacado: renovação dos
caças da FAB, dos submarinos da Marinha e dos tanques do Exército, além de
estabelecer a Estratégia Nacional de Defesa.
O que se tem depois de Bolsonaro são 28 militares, inclusive
de altas patentes, entre os 40 indiciados na tentativa de golpe. Não há dúvida
de que o procurador-geral, Paulo Gonet, vai deixar muito clara a
responsabilidade de cada um, com base na minuciosa investigação da PF,
mensagens de internet, planos impressos, reuniões, delações e depoimentos,
inclusive de excomandantes.
Gonet foi implacável com sete ex-integrantes do comando da
PM do Distrito Federal que já foram para a Praça dos Três Poderes no 8/1
dispostos a lavar as mãos. Se foi assim com PMs, como o PGR será com o
ex-presidente e os generais que articularam o golpe a partir do Planalto?
A área militar considera a pesquisa Atlas muito triste, mas
previsível, com uma ressalva: Datafolha e Ipec de dezembro de 2024 detectaram
perda de aprovação das FA, mas elas se mantinham como instituição mais bem
avaliada do País. Isso pode continuar se, como diz o ministro da Defesa, José
Múcio, houver separação entre CPFs (culpados) e CNPJ (FA).
Não depende de Supremo, governo e mídia, mas, sim, do
Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que não devem, jamais, defender qualquer
um que tenha imaginado, discutido e articulado o assassinato de um presidente
legitimamente eleito, seu vice e o então presidente do TSE. Quanto mais
distantes desse tipo de gente e quanto mais baterem a porta para a política nos
quartéis, melhor para as Forças Armadas. •

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