Perda de popularidade do presidente Lula é efeito do
empobrecimento da população
Desprezo do governo pelo equilíbrio das contas públicas e
reações pontuais para conter a alta dos preços complicam ainda mais o cenário
Dureza maior não é a pobreza; é o empobrecimento. Quando a
percepção de empobrecimento atinge em cheio as classes médias, como agora, o
custo político é inevitável. É o que ajuda a explicar o disparo na reprovação
do governo Lula, como mostram as pesquisas.
A cavalgada dos preços da alimentação, de 1,68% em apenas um
mês e meio é o primeiro choque sobre o orçamento doméstico. Tão ou mais
decepcionantes são as respostas das autoridades para o aumento da carestia: que
o consumidor troque carne por ovo, cujos preços logo em seguida disparam; café,
por chá; troque laranja por limão; cenoura por abobrinha ou pepino; alface, por
chicória... Ou então, vêm as tentativas inúteis de importar o que ficou caro
demais; e, mais decepcionante, a chamada de varejistas e de atacadistas para
maneirar nos efeitos da lei da oferta e da procura, como se tivessem perdido o
controle das maquininhas de etiquetar preços.
Energia elétrica não dá para substituir.
Foi o que subiu 16,3% apenas em fevereiro. Mensalidade escolar também não tem
substituto. Os reajustes do início do ano puxaram em fevereiro o item Educação
em 4,78%.
O encarecimento da condução e da gasolina torpedeia ainda
mais a lista das despesas domésticas. O presidente Lula botou a culpa nos
postos de gasolina, sem levar em conta que a carga maior veio com o aumento dos
impostos.
E tem a alta do dólar, que cortou o sonho das viagens.
Mais os juros. Cobrir a conta mensal do cartão de crédito
com outro cartão de crédito é truque de futuro quebrado. Os jornais noticiam
que os bancos vêm retomando os imóveis e os veículos financiados, porque muitos
compradores não honraram a prestação mensal.
A resposta do governo não passa de paliativos: é um pezinho
de meia aqui, um saque extra do Fundo de Garantia ali, que não recompõem o
poder aquisitivo. Pior, concorrem para o aumento artificial da demanda e da
inflação que, em seguida, exigirá maior carga de juros, poder aquisitivo ainda
mais murcho e maior corrosão potencial da aprovação no governo.
A mãe do empobrecimento da população a gente sabe qual é: a
excessiva complacência do governo com as despesas públicas e a iminente
esticada da dívida bruta para acima dos 80% do PIB e daí para sabe-se lá para
onde.
Com a popularidade despencando, o governo Lula se sente
ainda menos interessado em investir na austeridade. Tenta deter a derrocada com
distribuição de peixes em vez de varas de pescar. E cumpre a nova regra do
manual do secretário de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que é colocar o
presidente Lula nas rádios e na TV para despachar suas gracinhas.

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