Governo está em uma espiral de aprovação popular
fortemente descendente, sobretudo no Nordeste
Não é sempre que um conjunto de pesquisas com 10.442
entrevistas é divulgado, o que dimensiona o significado dos levantamentos de
avaliação do governo Lula feitos pela Genial/Quaest em oito Estados e tornados
públicos hoje. Das situações específicas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas
Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Bahia se distingue um
mosaico com desenho bastante claro: a situação é terrível para o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. Poderia ser ainda pior se a oposição tivesse um rumo
já traçado para 2026.
O governo está em uma espiral de aprovação
popular fortemente descendente, sobretudo no Nordeste, o que sugere que o
desastre comunicacional em relação à fiscalização do Pix ainda não foi
contornado. A crise do Pix foi o gatilho para uma ofensiva da oposição
tendo como alvo a economia. Desta vez o discurso contra Lula não passou por
Israel, aborto, uso de banheiros, Venezuela ou qualquer outro tema de guerra
cultural. Em linhas gerais, disseram que o governo projeta um arrocho na
arrecadação em meio a uma alta da inflação de alimentos.
A desaprovação ao governo Lula passou de 33% para 51% na
Bahia e 33% para 50% em Pernambuco entre dezembro e janeiro. São os Estados com
maior fatia de população de renda mais baixa (54% dos pernambucanos e 55% dos
baianos com ganhos abaixo de dois salários mínimos por família). Em magnitude,
representa uma queda de popularidade comparável à que teve Dilma Rousseff
depois dos protestos de junho de 2013. Esse foi o significado do janeiro de
2025. O tumulto e as grandes manifestações se deram de acordo com os novos
tempos, em silêncio, cada inconformado com seu telefone celular.
O recuo foi mais forte no Nordeste, mas não se resume a ele:
a desaprovação cresceu 14 pontos em São Paulo e Goiás, e 16 pontos em Minas
Gerais.
A competitividade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em
2026 dependerá da capacidade da oposição de construir ou não uma alternativa
viável.
A alternativa principal a Lula, o ex-presidente Jair
Bolsonaro , parece por ora inviável. Do ponto de vista objetivo, está
inelegível e caminha para ter uma condenação criminal no Supremo Tribunal
Federal. Do ponto de vista eleitoral, de acordo com a pesquisa, Bolsonaro
perdeu força em relação ao desempenho que teve em 2022, quando disputou a
reeleição.
Nas simulações de segundo turno feitas pela pesquisa, Lula e
Bolsonaro estão empatados no Rio de Janeiro, com 41% cada. Em 2022 Bolsonaro
ganhou no Estado com 13 pontos percentuais de vantagem. No Rio Grande do Sul o
ex-presidente venceria Lula por 44% a 38%. Em 2022 teve uma vantagem de 12
pontos. Em São Paulo Bolsonaro venceu por dez pontos percentuais. Agora tem uma
dianteira de 9 pontos.
A pesquisa testa o governador de São Paulo, Tarcísio de
Freitas (Republicanos), como opção para enfrentar Lula, e seu desempenho foi
bom, sobretudo no Estado que governa. Abre 24 pontos percentuais em São Paulo.
Tarcísio, contudo, diz que não irá concorrer. Também são avaliados o cantor
Gusttavo Lima (sem partido), opção que não é levada a sério em Brasília, e o
influencer Pablo Marçal (PRTB), que no momento também está inelegível por oito
anos.
Os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de
Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), se mostraram competitivos, mas suas
candidaturas não empolgam os partidos. A pesquisa não mediu intenção de voto
das opções com o sobrenome Bolsonaro: o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do
ex-presidente, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Mas mediu o
conhecimento, potencial de voto e rejeição de ambos. Michelle consegue índices
melhores que os do ex-presidente, o que não é o caso de Eduardo.
O filho do ex-presidente tem 58% de rejeição em São Paulo e
56% em Minas Gerais, os piores entre as opções da direita. E sua taxa de
desconhecimento é pequena. Eduardo é tão conhecido em São Paulo quanto Pablo
Marçal e está no mesmo patamar de Gusttavo Lima em Minas Gerais.
Talvez por gozação, 7% dos goianos disseram não conhecer
Lula e 13% dos baianos afirmaram desconhecer Bolsonaro. É um índice que sugere
que parte dos pesquisados deliberadamente mente ao ser entrevistado

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