‘Impeachment’, a palavra da oposição para competir com
julgamento do golpe e de Bolsonaro
O objetivo não é tirar Lula da Presidência, mas tumultuar,
dividir o noticiário e principalmente ocupar as redes sociais
Alerta amarelo para o governo: os estrategistas do
bolsonarismo descobriram como competir com o julgamento do golpe e do próprio
ex-presidente Jair Bolsonaro e já estão em ação, começando a criar uma falsa
onda na internet a favor do impeachment do presidente Lula. O objetivo não é
tirar Lula da Presidência, até porque sabem que não têm a menor chance, mas sim
tumultuar, dividir o noticiário e principalmente ocupar as redes sociais.
De repente, do nada, gente que acreditava nos horrores que
Jair Bolsonaro dizia na pandemia e que votou em Pablo Marçal passou a
perguntar: “Vai ter impeachment do Lula?” Você reage: “Nunca ouvi falar nisso.
Por que motivo?” E o coitado: “Ué! Por todas essas coisas aí”. Que “coisas”?
Ele não tem a menor ideia. Foi um, dois, três... Aí passou a soar estranho.
Foi assim com o Pix. A onda começou
devagar, virou tsunami e o deputado Nikolas Ferreira acabou de afundar uma
mudança que seria apenas burocrática. Lula teve de recuar, numa derrota
acachapante depois de meses de massificação de que tudo seria parte do plano
petista para dominar as contas bancárias e a vida das pessoas para instalar uma
ditadura (?).
Falar em impeachment também é delirante, mas a internet
transforma delírios em crenças, que não se combatem com racionalidade. Esses
ataques pelas redes têm comando, método, experts e engaja milhões numa rapidez
estonteante. De repente, a “realidade paralela” atinge e se instala em milhões
de corações e mentes. Estarrecedor.
A reação do Planalto é pífia e Lula não ajuda. Viaja pelo
País afora, inaugurando obras, cara a cara com o “povo”, mas nem Lula nem PT
são mais capazes de mobilizar multidões e o tom das viagens não é de governo, é
de campanha eleitoral e de promoção de Lula – que continua criando confusões.
Numa entrevista para rádios locais, cometeu três erros de
uma vez só, sobre juros, inflação, alimentos. Em outra, nem esperou a pergunta
e já se meteu a defender pesquisa na Foz do Amazonas, o que horroriza
ambientalistas e boa parte da sociedade em tempos de Trump e no ano da COP 30
em Belém. O que ganha com isso? Apoio de Davi Alcolumbre, presidente do Senado?
Lembrando que presidentes de partidos fazem fila para meter
o malho em Lula e no governo, mesmo tendo ministérios; governadores de oposição
boicotam até o Pacote da Segurança, que deveria interessar aos Estados; Trump é
uma ameaça a mais para a economia. E a popularidade não só balança como cai.
A coisa está como o diabo gosta e alimenta os métodos
bolsonaristas. Quando o Supremo começar a julgar tentativa de golpe, generais,
almirante e Jair Bolsonaro, o contra-ataque será pelas redes sociais, tendo
Lula no alvo. A palavra “impeachment” poderá já estar disseminada nos bolsões,
como arma poderosa e atordoante.

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