Claudio Castro, talvez assessorado por alguém, partiu
para o desespero. Usa a surrada cartilha de colocar os defensores de cidadania,
de inteligência como base política de segurança, do respeito à legislação, como
culpados
Acuado, diante de mais um caso inadmissível de afronta ao
poder de polícia no Rio, o governador Cláudio Castro não perdeu tempo e
escolheu outro fantasma para jogar a culpa por sua própria incompetência: “a
turma dos Direitos Humanos”. Numa postagem que chega a constranger, o
governador promete “resposta firme” ao ataque à 60ª Delegacia de Polícia Civil,
em Duque de Caxias, e diz não querer ser incomodado por quem defende o simples
cumprimento da lei. A instituição foi metralhada na noite do último sábado (15),
quando criminosos tentaram resgatar dois líderes do tráfico da região que
haviam sido presos horas antes. Dois policiais ficaram feridos.
“E já vou avisando à turminha dos “direitos humanos”, não
encham o meu saco, porque a resposta será dura e na mesma proporção, só que com
efetividade e dentro da lei”, bradou um descontrolado Castro, nas redes. Noves
fora a retórica contraditória e pueril, parecia até seu tutor, Wilson Witzel,
de quem era vice, ao defender “tiro da cabecinha” dos criminosos. Ainda em
2018, após ser eleito governador do Rio com discurso apoiado no combate à
corrupção e ao tráfico de drogas, o ex-juiz federal falou grosso: “Está de
fuzil? Tem de ser abatido”.
Castro pode até não querer lembrar o fluminense desse fato,
mas está no Palácio Guanabara há 2.239 dias. Recentemente, disse ao jornal “O
Globo” não ter qualquer responsabilidade pela escalada da violência no Estado
do Rio. O Instituto Fogo Cruzado aponta, lamentavelmente, uma epidemia de
baleados em janeiro de 2025, somente na Região Metropolitana: 181 pessoas foram
baleadas, dos quais 79 morreram. É um cenário significativamente mais violento
do que o registrado em janeiro de 2024: aumento de 79% no número de baleados.
Com uma política de (in)segurança pública em frangalhos, o
governador parece navegar sem a menor noção do rumo. Costuma culpar a Arguição
de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, no Supremo Tribunal
Federal (STF), que cobra protocolos às ações policiais em favelas do Rio de
Janeiro, pela resistência dos traficantes armados. Pura balela: segundo o
Ministério Público do Rio, de junho de 2020 a janeiro deste ano, as policiais
Civil e Militar comunicaram a realização de cerca de 4.600 operações em
comunidades do estado, ou seja, uma média de três operações por dia.
Castro, talvez assessorado por alguém, partiu para o
desespero. Usa a surrada cartilha de colocar os defensores de cidadania, de
inteligência como base da política da segurança, do respeito à legislação, como
culpados. Não assume o leme do navio. Perdido, nada sabe, nada vê. Vada a
bordo, Castro!

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