Na avaliação do presidente do Fonavid, educação e
prevenção são indispensáveis para conter a violência que afeta o universo
feminino
Uma grávida de 19 anos foi morta com um tiro na cabeça
dentro de uma igreja evangélica, na cidade de Planaltina, cidade do Distrito
Federal, na frente da filha de 2 anos. O autor era ex-companheiro da vítima,
que recuou da decisão de deixar a guarda da menina. A violência contra mulheres
não parou aí no Distrito Federal neste último fim de semana. Um motorista de
aplicativo, estuprou uma jovem, também de 19 anos, dentro do carro, no percurso
entre Samambaia e Ceilândia, onde ela reside.
Casos lastimáveis como esses alimentam um banco de dados de
violência contra as mulheres que agrega outras perversidades, como
espancamentos, tortura, humilhações, assédio moral, violência psicológica e
sexual. Trata-se de uma lista longa de maus-tratos presentes no cotidiano do
universo feminino, praticados dentro e fora de casa, culminando num cenário de
desamparo e insegurança onde quer que as mulheres estejam, com desdobramentos
também nos ambientes virtuais.
Só em 2024, no DF, foram abertos 75 processos de
violência contra as mulheres por dia. E, a cada 26 minutos, ocorria o registro
de uma queixa por violência doméstica. Dados do Conselho Nacional de Justiça
indicam que mais de 380 mil casos foram registrados na Justiça em todo o país,
no mesmo ano.
Sexta-feira última, em entrevista ao Podcast
do Correio, o presidente do Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência
Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid), Francisco Tojal Dantas Matos,
reconheceu que "há uma carga muito grande de ódio às mulheres".
Ele destacou que, ao longo de 2023, ocorreram 1.467 feminicídios no Brasil,
sendo 64% das vítimas mulheres negras, reconhecidas como as mais
vulneráveis. Igual percentual foi o de vítimas mortas em casa.
Na avaliação do presidente do Fonavid, educação e prevenção
são indispensáveis para conter a violência que afeta o universo feminino. Ao
lado dessa providência, ele entende como fundamental regular as redes sociais,
pelas quais trafegam mensagens que confundem discurso de ódio com liberdade de
expressão. "A educação é a maior arma contra a violência. Só a partir da
prevenção, a gente vai conseguir mudar essa realidade", indicou.
Outra frente imprescindível é tornar o público masculino
aliado na luta pelos direitos das mulheres. O juiz defende que os homens
participem dos diálogos, ouçam as mulheres, abram caminho para que elas
alcancem determinados espaços — muitos tidos como exclusivos do universo
masculinos — e, por último, conversem com outros homens que se negam a escutar
as mulheres.
Mas não só isso. O presidente do Fonavid entende como
importante dialogar também, de forma harmoniosa, com os Três Poderes. No
Congresso e nas casas legislativas caminham pautas que desconstroem os avanços
conquistados pelas mulheres e alargam o fosso que impede a equidade de gênero.
Provocar o ressurgir de valores incompatíveis com avanços civilizatórios e
combiná-los ao reforço de uma educação machista implica banalizar a violência e
a discriminação das mulheres em todo os sentidos, na via contrária dos direitos
humanos e da Constituição cidadã.
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