PT teria trunfo imbatível para 2026, vozes de Junho de
2013 seriam ouvidas e Brasil se tornaria vanguarda mundial
Conquista no transporte alivia bolso dos
trabalhadores, melhora economia local e diminui trânsito e poluição
O Brasil é o país com o maior número de cidades com tarifa
zero no mundo. Graças aos protestos de Junho
de 2013, 136 cidades oferecem gratuidade no transporte
público todos os dias do ano.
A medida é uma verdadeira conquista, considerando que a
renda gasta com transporte público diário pode superar 20% do salário mínimo.
Segundo dados da Mobilize Brasil, um trabalhador que recebe R$ 1.518 compromete
21,73% de sua renda com transporte caso more em Brasília. Se for morador de
Curitiba, o gasto sobe para 23,71%. Em Florianópolis, o mesmo trabalhador gasta
27% de sua renda para se locomover na cidade.
O cenário é ainda pior em comparação com as
cidades mais caras do mundo. Considerando a renda média da população, o
brasileiro gasta muito mais com transporte público do que moradores de Nova
York, Paris e Londres.
Porém, a tarifa zero não beneficia apenas usuários de
transporte público. Um estudo da FGV comparou 57 cidades com tarifa zero com
2.731 que ainda cobram passagem e apontou que a gratuidade dos ônibus resultou
em aumento de 3,2% de empregos, aumento de 7,5% no número de empresas e redução
de 4,2% de emissão de gases poluentes.
A cidade de São Caetano do Sul, em São Paulo, por exemplo,
experimentou uma redução do trânsito com a retirada de 1.500 carros das ruas
por hora. Em Caucaia, no Ceará, a frequência nos transportes aumentou em quatro
vezes e a Câmara dos Dirigentes Lojistas local registrou aumento de 30% nas
vendas do comércio.
Ou seja, a adoção da tarifa zero alivia o bolso dos
trabalhadores, melhora a economia local, diminui o trânsito e a poluição, e
ainda possibilita que todas as pessoas possam acessar livremente serviços
diversos como saúde, educação, cultura e lazer. Então por que ainda não foi
adotada no país inteiro?
Para o deputado federal Jilmar Tatto (PT), a tarifa zero já
"saiu do plano de um sonho impossível e passou a ser um plano
concreto". Possíveis fontes de financiamento vêm sendo consideradas pelo
governo federal. No entanto, a proposta mais avançada, produzida pela sociedade
civil, foi publicada há dois anos com o título "Vale-Transporte. Cálculo
de contribuição para disponibilização do transporte público coletivo".
A ideia é que estabelecimentos públicos e privados, com dez
funcionários ou mais, possam custear totalmente a tarifa zero em todo o Brasil
com uma contribuição de R$ 213,58 por empregado por mês. Hoje, várias empresas
gastam valores maiores com o benefício do vale-transporte, daí o título do
estudo.
A proposta já se tornou um projeto de lei que tramita na
Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte. O texto conta com apoio de 21
vereadores e precisa de 28 votos para ser aprovado. Agora, a vereadora Luiza
Dulci (PT) aposta que articulações entre a prefeitura e o governo federal
possam fazer com que isso se torne realidade.
A aprovação de uma nova lei em Belo Horizonte pode ser mais
um passo na direção de uma política em âmbito nacional. Se Lula se
tornar o presidente
da tarifa zero, o PT terá um trunfo imbatível para as eleições de 2026, o
Brasil se tornará vanguarda mundial no direito à mobilidade urbana, e as vozes
de Junho de 2013 terão sido, finalmente, ouvidas.

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