Governador confessou ser o autor intelectual dos
assassinatos
Matar alguém é potencialmente homicídio e deve ser assim
tratado
Por baixo da pilha de mais de cem corpos que sangram nas
ruas da Penha e do Alemão, não cabem meias palavras: Cláudio
Castro confessou em rede nacional ser o autor intelectual do
assassinato de ao menos uma centena de pessoas na ação mais letal da história
do estado e, por isso, deveria ser preso imediatamente. Não seria uma novidade:
outros cinco ex-governadores do RJ já foram presos por ilícitos bem menores.
Tiro na nuca, nas costas e facadas constituem sinais de
execução, e se o Ministério Público não os investigar, conivente será. Faz-se
urgente que o STF determine, via ADPF 635, que a Polícia Federal participe das
perícias nos corpos, garantindo o respeito a parâmetros como o Protocolo de
Minnesota sobre a Investigação de Mortes Potencialmente Ilícitas.
Castro não é diferente do ex-presidente filipino Rodrigo
Duterte —hoje preso em Haia— e seus capangas. Após séculos de violência,
acostumamo-nos tanto à matança a ponto de esquecermos de chamar as coisas pelos
seus nomes. Matar alguém é potencialmente homicídio e deve ser assim tratado.
Se as polícias tiveram condições de matar em uma área de mata, possuíam a
capacidade de prender e investigar, e escolheram não o fazer.
Não há na lei a categoria de bandido executável. Qualificar
mortos como suspeitos serve tão somente para expiar a culpa pequeno-burguesa de
parte da população e da imprensa que prefere racionalizar a barbárie e sua sede
por sangue do que condená-las. Não são seus filhos que se agacham para se
proteger das balas perdidas que sempre os encontram, são os filhos de suas
empregadas domésticas, que, eles dizem, bandidos devem mesmo ser.
Além de homicida, o governo de Cláudio Castro é
incompetente: Castro precisa explicar por que, apesar de repetidas chacinas,
sob o seu governo, o Comando
Vermelho foi a única organização criminosa a expandir em 8,4% a sua
presença no Rio em 2023. Fato é que operações sangrentas não reduzem nem um
centímetro a ocupação territorial de facções criminosas; investigar e prender
quem comanda o crime, inclusive dentro do Estado, sim.

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