Agora é a vez de Flávio Bolsonaro na agenda de Alexandre
de Moraes
Jair Bolsonaro seria preso preventivamente no sábado ainda que com a tornozeleira intacta, diante da convocação de vigília pelo filho
Jair Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica. Ato
individual objetivo. E admitido. Meteu-lhe um ferro quente. Descumprimento de
medida cautelar. Razão para que a prisão preventiva fosse decretada. A razão. A
única incontroversa. Razão que é marginal na decisão de Alexandre de Moraes,
merecedora de parágrafo en passant, inserido improvisadamente na sequência de
um “além disso”, à décima-quarta página de um documento com dezessete. A
referência à fuga do deputado Ramagem – como exemplo do “perigo da liberdade” –
leva mais atenção.
O ex-presidente seria preso preventivamente no sábado ainda
que com o aparelho intacto, prisão que tem como centro a convocação de vigília
pelo senador Flávio Bolsonaro; e que se dá nos termos do 8 de Janeiro
permanente, o fundamento mantenedor – a ameaça golpista constante – dos
inquéritos xandônicos. Prisão, de Jair, que tem como agente o filho Flávio,
“the next”, cujo chamamento ao “Senhor do Exércitos” para salvar o Brasil de
“ladrões, bandidos e ditadores” – ação-discurso de um terceiro – materializou o
descumprimento de cautelar pelo pai.
A tese – da PF ou de Xandão, sendo já
difícil distinguir os delegados: a vigília poderia ter “grande dimensão” e
ocorrer “por muitos dias”, ademais “nas imediações da residência” de Bolsonaro,
“de forma semelhante às manifestações estimuladas” às portas dos quartéis.
Evento – do lado de fora do condomínio, a quase quilômetro da casa – com o
“condão de gerar um grave dano à ordem pública” e inviabilizar o cumprimento de
medidas em decorrência do trânsito em julgado (que se aproxima) da ação penal
em que o ex-presidente foi condenado.
Moraes considerou a “vigília”, entre aspas, como um disfarce
– para que os apoiadores de Bolsonaro, cuja residência era permanentemente
vigiada por policiais, obstruíssem “a fiscalização das cautelares e da própria
prisão domiciliar”. Seria a repetição da prática da “organização criminosa
liderada” por Jair: a instrumentalização de “manifestações populares
criminosas” – conceito em que tudo caberá – em prol de vantagens pessoais.
A vigília, um tumulto forjado, representaria risco à ordem
pública e à efetividade da lei penal – e criaria as condições, um “ambiente
propício”, para tentativa de fuga a uma embaixada ou ao exterior. De acordo com
Moraes, mesmo com a condenação pela tentativa de golpe, a organização criminosa
“articulou” a evasão de Alexandre Ramagem e intencionaria “reviver os
acampamentos ilegais que geraram o deplorável dia 8/1/2023”.
Xandão atualizou a sua agenda-foco sobre os zeros de
Bolsonaro: primeiro, desde os EUA, Eduardo “articula criminosamente e de
maneira traiçoeira contra próprio País”; e agora Flávio, “insultando a Justiça
de seu país, pretende reeditar acampamentos golpistas e causar caos social no
Brasil”. A fila anda. Já andou. •

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