Quando as eleições de 2026 vão mexer na Bolsa, no dólar e
nos juros?
O divisor de águas para uma tomada de posição firme do
mercado será 4 de abril, quando a desincompatibilização obriga um candidato a
se afastar de cargos públicos
Foi relativamente tímida a reação do mercado à primeira
pesquisa de intenção de voto do ano para a eleição presidencial, divulgada na
semana passada. Além de a pesquisa mostrar um cenário praticamente inalterado
em relação à virada do ano, com o presidente Lula (PT) mantendo-se na liderança
e o senador Flávio Bolsonaro (PLRJ) consolidando-se em segundo lugar, a maioria
dos investidores ainda não mexeu na alocação das suas carteiras mirando o
desfecho de quem sairá vencedor do pleito.
Apesar de Tarcísio de Freitas (Republicanos) repetir que irá
concorrer à reeleição ao governo paulista e que seu candidato na chapa
presidencial é Flávio, os investidores mantêm, lá no fundinho do coração, a
esperança de uma reviravolta e de que o nome da direita a disputar com Lula em
outubro será o de Tarcísio. Ou seja, caso isso venha mesmo a acontecer – Flávio
desistindo da candidatura ou, ao menos, de ser cabeça de chapa –, os preços dos
ativos devem reagir estrepitosamente à injeção de otimismo da Faria Lima.
Não porque os investidores consideram
necessariamente que Flávio faria uma gestão pior à frente do Palácio do
Planalto do que um eventual governo Tarcísio, mas porque veem o governador
paulista como o único em condições de derrotar Lula na sua busca à reeleição.
Na visão de vários gestores de fundos, estrategistas e economistas, a rejeição
de Flávio no eleitorado é proibitiva e desautoriza qualquer aposta mais firme
do mercado na vitória do senador sobre o petista. Na última pesquisa
Genial/Quaest, Flávio registra rejeição de 55%, enquanto o índice de Tarcísio é
de 43%.
Quando, afinal, os investidores vão fazer um posicionamento
substancial e definitivo na Bolsa, no dólar e nos juros sobre o desfecho da
eleição presidencial? O dólar poderá disparar caso Lula seja reeleito ou recuar
muito ante o real se o nome da direita sair vencedor? Para onde vai a Bolsa em
cada um desses cenários? Como será o comportamento dos investidores
estrangeiros – voltando em massa ou fugindo do País – com o resultado da
eleição presidencial?
O divisor de águas para uma tomada de posição firme do
mercado será o dia 4 de abril, quando a desincompatibilização obriga um
candidato a se afastar de cargos públicos para disputar um mandato. No pleito
presidencial, é nessa data que Tarcísio precisaria deixar o governo estadual
para cumprir a exigência de seis meses de afastamento do cargo. Será a partir
de então que a eleição entrará, de vez, no preço do mercado. E a sensibilidade
às pesquisas de intenção de voto será maior. •

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