A "fervura" que Wagner Moura sente, e que todos
nós vemos nas salas de cinema cheias, é a celebração da nossa soberania
cultural. É a democracia devolvendo ao Brasil o direito de se enxergar, se
orgulhar e prosperar
"Está fervilhando." Foi assim que o ator Wagner
Moura resumiu o atual momento da nossa cultura ao ser questionado sobre o
brilho recente do audiovisual brasileiro no cenário global. Da aclamação em
Cannes às premiações no Globo de Ouro, chegando às históricas quatro indicações
ao Oscar, o Brasil voltou a ocupar o lugar que é seu por direito: o topo. E, ao
explicar esse fenômeno, Wagner foi direto e preciso: "Isso é apenas a
democracia".
O que a internet hoje celebra com o meme "Absolute
Cinema", aquele selo simbólico de qualidade para o que é verdadeiramente
marcante, é, na verdade, o resultado de um país que voltou a respirar e a
investir em si mesmo. Não é sorte, não é milagre. E, embora o talento do nosso
povo seja infinito, não se trata apenas de inspiração. Trata-se de política
pública.
O audiovisual brasileiro tem o que chamamos
de "molho", uma identidade única, um borogodó que algoritmo nenhum
consegue replicar. Esse brilho especial transborda em obras de realizadores
como Walter Salles e Kleber Mendonça Filho, e também de diretoras como Anna
Muylaert, Julia Murat e Marianna Brennand, que vêm conquistando reconhecimento
e prêmios em importantes festivais internacionais. São filmes que levam a nossa
essência, dos territórios às grandes cidades, das memórias íntimas às questões
coletivas, para as telas do mundo.
Mas esse "molho" não circula sozinho. Ele precisa
de estrutura, fomento e visão de Estado. Desde 2023, o governo federal retomou
com força o investimento público no audiovisual, reconhecendo o setor como
estratégico para o desenvolvimento econômico, cultural e simbólico do país.
Entre 2023 e 2025, foram aportados mais de R$ 5,7 bilhões no setor audiovisual
brasileiro, somando recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e das Leis
de Incentivo.
O Ministério da Cultura (MinC) atua para que esse
investimento se traduza em obras, circulação e acesso. Apenas nas chamadas
públicas de produção do audiovisual em 2024 e 2025, foram contempladas,
aproximadamente, 852 obras, distribuídas entre o Seletivo de Cinema (160
projetos), o Seletivo de TV e VoD (133 projetos) e os Arranjos Regionais do
Audiovisual, que impulsionaram 559 obras em todas as regiões do país. É a
democracia cultural operando na prática, garantindo que diferentes vozes,
sotaques e territórios tenham condições reais de produzir e existir no mercado.
Enquanto Ainda estou aqui reafirma o vigor do nosso talento
e da nossa capacidade criativa, filmes como Manas e O agente secreto demonstram
como o Estado brasileiro impulsiona esse talento. Essas obras premiadas
contaram com o braço estruturante do FSA e da Ancine, evidenciando que o
investimento público é decisivo para transformar a criação artística em filmes
competitivos, com alcance internacional, e para consolidar o audiovisual como
uma indústria sólida e sustentável.
Os números confirmam essa força. Segundo dados da Motion
Picture Association e da Ancine, o audiovisual brasileiro é hoje responsável
por injetar R$ 70,2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do país. O setor
sustenta mais de 608 mil empregos qualificados e movimenta uma ampla cadeia
produtiva. Cada vaga criada em um set de filmagem impulsiona outras quatro na
economia real, do transporte ao buffet, da segurança ao setor jurídico.
Essa engrenagem funciona em escala nacional e também
internacional. Entre 2023 e 2025, foram emitidos 7.898 Certificados de Produto
Brasileiro (CPBs) para obras de espaço qualificado, evidenciando a retomada
consistente da produção. No mesmo período, 124 obras brasileiras independentes
foram concluídas em regime de coprodução internacional, com destaque para 2024,
que registrou o maior número da série histórica: 50 obras finalizadas, prontas
para circular no mercado interno e externo.
A expressiva presença de filmes brasileiros em grandes
festivais internacionais, como o Festival de Berlim, comprova que consolidamos
uma verdadeira esteira de produção, circulação e reconhecimento. Estar do lado
do povo brasileiro é proteger esse patrimônio cultural e econômico, avançar na
regulação do streaming e reforçar o Fundo Setorial do Audiovisual, garantindo
que a propriedade intelectual das nossas obras permaneça com o Brasil e
continue gerando valor, empregos e identidade.
A "fervura" que Wagner Moura sente, e que todos nós vemos nas salas de cinema cheias, é a celebração da nossa soberania cultural. Não é acaso. Não é improviso. É a democracia devolvendo ao Brasil o direito de se enxergar, se orgulhar e prosperar.
Absolute Cultura. Absolute Democracia.

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