Tentativa de emparedar Banco Central para questionar
liquidação da instituição reúne TCU, contas digitais e abafa no STF
Felizmente surgem reações, apesar do silêncio do governo
Lula, contra mais essa investida criminosa na política e instituições
As reiteradas investidas
do TCU (Tribunal de Contas da União) contra o Banco Central são uma
tentativa facciosa de instrumentalizar a fiscalização com o objetivo de conter
a emergência de escândalos que podem atingir os quatro cantos da República,
como disse recentemente —reforçando o que muitos já haviam apontado— o
economista Arminio Fraga, ex-presidente do BC, em entrevista.
Se não é possível apontar o dedo para a
totalidade do tribunal, não há dúvida de que seu presidente, Vital
do Rêgo, e sobretudo o ministro Jhonatan de Jesus vêm atuando de modo
mais do que suspeito para intimidar a autoridade monetária e tentar reverter a
liquidação do banco, baseada em evidências clamorosas de fraudes.
Não é difícil notar por detrás dessas escaramuças a mão
visível do centrão e vislumbrar —estarei precisando de oftamologista?— aquela,
já não tão invisível assim, do crime organizado.
Quem é Jhonatan de Jesus? Trata-se de um político que
exerceu quatro mandatos de deputado federal por Roraima. É unha e carne com o
ex-presidente da Câmara, Arthur
Lira, que o indicou e, afinal, o levou ao TCU. Os dois se apoiaram
mutuamente, Lira em busca de seu segundo mandato e Jhonatan sonhando com o
cargo vitalício (até os 75 anos) no tribunal, que é um órgão auxiliar do
Congresso para fiscalizar as despesas e a execução do Orçamento.
Se a inadequação
institucional e legal da intervenção do TCU é gritante, a iniciativa de
Dias Toffoli de chamar a investigação para o STF tampouco tem solidez. É
baseada em uma alegação acidental, dada a presença de um parlamentar numa das
facetas das investigações.
Como já comentei aqui, Toffoli comporta-se como o abafador-geral
do caso ao decretar sigilo e tentar sentar sobre um iceberg com
potencial para afundar um Titanic com passageiros graúdos da política e
redondezas.
Revelam-se agora bastidores sobre a suposta insatisfação de
ministros do STF com a tentativa de imitação da arrogância da corte suprema
pelo TCU. Não é demais lembrar, entretanto, as ligações perigosas que a
jornalista Malu Gaspar revelou em torno de um contrato
milionário entre o banco de Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia
da família do ministro Alexandre de Moraes.
As movimentações para acuar o BC também mobilizam uma milícia
digital. E não começaram agora. Já vimos o centrão tentar aprovar na Câmara
legislação que permitiria ao Congresso demitir diretores do BC. Causa
estranheza também a acomodação do Executivo diante das pressões. Quanto ao
mercado, ao menos instituições mais respeitadas manifestaram-se.
Curiosamente, a ideia de que o BC teria se apressado na
liquidação do Master choca-se com o que alguns diziam tempos atrás, quando se
lançavam dúvidas sobre a presteza da gestão anterior em detectar os problemas.
O fato é que cresce no cenário a presença dos Amigos do
Master –como se poderia designar a aliança suspeitíssima que gostaria de anular
a liquidação, o que seria tecnicamente inviável. Temos presenciado o avanço do
banditismo na política e nas instituições. As conexões do caso Master com essa
cultura delinquencial são claras. Não é, infelizmente, novidade num país que já
el3egeu um golpista ligado a milícias e votou num Congresso que prima pelo
descaramento.

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