Pirâmide financeira para a fabricação de R$ 45 bilhões
mostra que o sistema de regulação falhou
A começar pela Comissão de Valores Mobiliários, é preciso
enfrentar o problema de peito aberto
Os detalhes da teia montada para sustentar o esquema
de fraudes com uso de crédito de estoque de carbono, envolvendo a família
Vorcaro, a empresa Alliance Participações e os fundos de investimento, já
apontam para um dos maiores escândalos do setor no Brasil.
Revelada pela Folha numa série de reportagens
publicadas desde a semana passada, a pirâmide financeira para a fabricação de
R$ 45 bilhões em crédito de estoque de carbono fake coloca em xeque as
negociações desses ativos no momento em que o setor se preparava para ganhar
impulso após a
criação da lei sobre o mercado regulado.
Sancionada em dezembro passado, a nova
legislação determina um limite para a emissão de poluentes por parte de setores
e empresas e obriga que o excedente seja compensado com a compra de créditos
de carbono.
Os planos para esse mercado eram ambiciosos, com a
expectativa de o Brasil vir a sediar, no futuro, uma bolsa de valores de
protagonismo mundial.
Numa aposta para acelerar a transição energética na economia
brasileira, o ministro da Fazenda, Fernando
Haddad, chegou a criar, no fim de 2025, uma secretaria extraordinária para
regulamentar a lei.
A ciranda financeira montada pelo Banco Master para
desviar recursos com o uso de pretensos créditos, uma categoria de ativo que
não existe no mercado, mostra que o sistema de regulação e fiscalização falhou.
O trabalho regulatório terá que ser robusto para barrar as fraudes.
O esquema faz questão de confundir créditos de carbono, um
ativo legítimo, com créditos de estoque de carbono, que não têm mercado. Se a
resposta do governo federal, dos órgãos fiscalizadores e da Justiça não for
exemplar, o mercado já nascerá com a marca da desconfiança. Quem estiver no
muro, vai ter que descer para enfrentar o problema de peito aberto.
A começar pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários),
responsável pela fiscalização dos fundos. O órgão não deu resposta sobre como
irá enfrentar a crise, com argumento de que não fala de casos específicos.
Segue em dívida.

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