Segurança pública, economia e polarização política, além
de valores sociais e identitários, devem influenciar corrida
Desafio será conquistar o eleitor cansado do conflito,
que deseja estabilidade sem renunciar às mudanças
A campanha
presidencial de 2026 começa a se desenhar muito antes do calendário
oficial. Como ocorre em ciclos de alta polarização, os grandes temas do debate
público vão se consolidando de forma antecipada, orientados menos por programas
detalhados e mais por percepções, medos, expectativas e sentimentos difusos do
eleitorado.
Já é possível identificar os principais eixos temáticos que
estruturarão a disputa e servirão de referência para estratégias, discursos e
narrativas dos candidatos. Entre elas, a avaliação
do atual governo e a ideia de continuidade ou ruptura.
O pleito, que terá caráter plebiscitário,
deverá avaliar o desempenho do Executivo federal. A situação defenderá avanços
sociais, recuperação de políticas públicas e estabilidade institucional. A
oposição insistirá nos custos fiscais, na eficiência da gestão e nas promessas
não cumpridas. Mais do que dados técnicos, o que estará em jogo é a percepção
cotidiana do eleitor: melhora ou piora da vida real nos últimos anos.
O primeiro eixo será a segurança pública, tema que se impôs
como uma das maiores angústias nacionais. O avanço do crime organizado, a violência urbana
e a sensação de descontrole do Estado alimentam propostas que vão do
endurecimento penal ao reforço da inteligência policial e das políticas
sociais. Trata-se de um tema transversal, capaz de mobilizar eleitores de
diferentes classes e ideologias, e que tende a ser explorado com forte carga
emocional.
A economia formará
o segundo eixo estruturante. Emprego, renda, inflação,
custo de vida e endividamento das famílias dominarão o debate. Mesmo que
indicadores macroeconômicos apresentem algum alívio, o sentimento econômico
costuma pesar mais do que estatísticas. O eleitor vota com base no preço do
supermercado, na prestação do carro, no aluguel e na sensação de segurança
financeira. Nesse campo, discursos sobre responsabilidade fiscal, crescimento
sustentável e justiça tributária disputarão espaço.
A polarização política e institucional, citada anteriormente, continuará sendo um
eixo central. A disputa não se dará apenas entre projetos de governo, mas entre
narrativas sobre democracia, instituições, liberdade de expressão e o papel do
Judiciário. A desinformação, o uso estratégico das redes sociais e a retórica
de confronto seguirão como instrumentos de mobilização. O desafio será
conquistar o eleitor cansado do conflito permanente, que deseja estabilidade
sem renunciar às mudanças.
Outro eixo relevante será o dos valores sociais e
identitários. Temas ligados à família, à religião, aos costumes, à educação e à
identidade nacional voltarão ao centro da arena eleitoral. São pautas capazes
de mobilizar afetos profundos e fidelizar segmentos do eleitorado, mesmo quando
não se traduzem em políticas públicas concretas. A disputa simbólica e
subjetiva, nesse campo, tende a ser intensa.
A juventude e o eleitor flutuante formarão um eixo estratégico à parte. Cresce
o contingente de eleitores menos identificados com partidos tradicionais, mais
conectados às redes digitais e mais sensíveis a temas como oportunidades,
mobilidade social, meio ambiente e
qualidade de vida. A linguagem, os formatos e os meios de comunicação serão
decisivos para alcançar esse público.
Por fim, ainda que de forma menos ruidosa, o meio ambiente e
a inserção internacional do Brasil estarão presentes no debate. A agenda
climática, a preservação da amazônia e
o papel do país no cenário global funcionam como ativos simbólicos importantes,
sobretudo junto a setores urbanos, jovens e ao eleitorado mais escolarizado.
A campanha de 2026, portanto, será marcada pela convergência
entre temas estruturais —economia, segurança e governabilidade— e disputas
simbólicas intensas, alimentadas pela polarização. Mais do que propostas
detalhadas, vencerá quem conseguir traduzir esses eixos em narrativas simples,
emocionalmente eficazes e capazes de dialogar com um eleitorado cansado de
promessas, mas ainda em busca de esperança.

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