Semana termina com Toffoli, Moraes e Alcolumbre perdendo
o controle do processo; era o que mais temiam
Vorcaro busca combinar perguntas com parlamentares para
ir ao Congresso, mas estratégia pode ter ido para o brejo
O ministro do STF André
Mendonça garante mais
transparência ao determinar que o presidente do Senado, Davi
Alcolumbre, entregue à CPI do INSS os dados do ex-banqueiro Daniel
Vorcaro originados de quebra de sigilo.
As informações ficarão também com a Polícia
Federal, que, sob pressão máxima nas últimas semanas, terá que redobrar a
cautela para não se ver numa nova armadilha. Na PF, o que se espera é que o
risco de provas serem corrompidas, usadas de forma seletiva ou até mesmo
anuladas posteriormente diminua.
Numa estratégia bem calculada, Mendonça
também dispensou o dono do Master de comparecer à comissão. A sua presença
passou a ser facultativa.
Antes da decisão de Mendonça, o ex-banqueiro tinha
compromisso marcado na CPI, na próxima segunda (23), e na CAE (Comissão de
Assuntos Econômicos do Senado) do Senado, no dia seguinte.
Vorcaro já avisou que não vai à CPI e também não deve ir à
CAE, apesar do acerto com o seu presidente, senador Renan
Calheiros.
Indo ao Congresso, ele será o assunto da próxima semana. Não
comparecendo, também. A decisão será exclusivamente dele.
Se queria usar as duas comissões para dar vários recados aos
envolvidos —como já tem atuado nos bastidores, via movimentação de sua defesa,
desde que foi preso em novembro passado— ficará mais difícil diante da maior
transparência dada ao caso pelo novo relator no Supremo.
A tática deu certo até agora com o inquérito do Master sob a
batuta do ministro Dias Toffoli e
suas perigosas relações financeiras com a família Vorcaro. A tentativa de
Vorcaro de combinar perguntas com os parlamentares e até mesmo com jornalistas
para colocar foco em temas que favoreçam a sua narrativa de vítima do processo
tende a ir para o brejo.
Definitivamente, o ambiente político está mudando com as
decisões de Mendonça, o que inclui ter dado mais autonomia para a PF para
investigar depois das restrições impostas pelo antigo relator. A semana termina
com Toffoli, Alexandre
de Moraes e Alcolumbre perdendo o controle do processo. Era o que mais
temiam.

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