Presidente confirma encontro em março e ensaia novo tom
sobre Venezuela e minerais críticos
Lula confirmou que vai à Casa Branca em março. Disse que
espera ter uma conversa “olho no olho” com Donald Trump. O objetivo do governo
brasileiro é zerar o tarifaço sobre as exportações para os Estados Unidos. Mas
o encontro também deve tratar de outros temas espinhosos.
Na primeira semana do ano, os EUA invadiram a Venezuela e
sequestraram o presidente Nicolás Maduro. A ação deixou dezenas de mortos e
inaugurou a “Doutrina Donroe”, que restabelece a diplomacia do porrete na
relação de Washington com a América Latina.
O Itamaraty condenou a intervenção militar, e Lula se disse
“indignado” com a agressão ao país vizinho. Ontem o presidente mudou de tom e
pareceu rifar Maduro, ao afirmar que ele “não é a preocupação principal”. “O
que está em jogo é se a gente vai melhorar a vida do povo ou não”, declarou, em
entrevista ao UOL.
Na visão do Brasil, a situação de Cuba se
tornou mais complicada que a da Venezuela. Há temor de um colapso humanitário
na ilha, que sofre com apagões e falta de combustível após novas medidas
americanas para endurecer o bloqueio.
Lula pretende defender a autodeterminação dos cubanos, mas
seus conselheiros estão pessimistas com a possibilidade de uma distensão. O
secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve suas votações na Flórida ao
discurso agressivo contra o regime comunista.
Os dois presidentes também devem tratar do combate ao crime
organizado. Trump tem citado o tráfico de drogas como pretexto para fazer novas
ameaças de uso da força. No Brasil, políticos de direita pregam que facções
criminosas sejam rotuladas de terroristas, o que abriria caminho à imposição de
sanções ao país.
Lula tentará conduzir a conversa em outra direção. Deve
pedir ajuda para enfrentar a sonegação de impostos e a lavagem de dinheiro. Num
telefonema em dezembro, ele disse a Trump que o maior devedor brasileiro mora
em Miami. Referia-se ao empresário Ricardo Magro, alvo de megaoperação recente
contra fraudes em combustíveis.
Planalto e Itamaraty sabem que a Casa Branca está de olho
nas terras raras. Há sete meses, Lula afirmou no palanque que “aqui ninguém põe
a mão”. Ontem ele se mostrou mais disposto a negociar, e disse que o tema não é
“proibido”. A ideia é condicionar o acesso aos minerais a investimentos para
processá-los no Brasil.

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