A saída abrupta de Kassab do governo paulista, a
desistência de Ratinho Jr. e a fragilidade nas pesquisas expõem dificuldades do
partido para sustentar uma candidatura própria
A seis meses da eleição presidencial, o PSD entra
em uma fase decisiva no calendário eleitoral sem um rumo definido para sua
candidatura nacional e acumulando sinais de enfraquecimento.
O movimento mais recente foi a saída de Gilberto
Kassab da Secretaria de Relações Institucionais do governo de São Paulo. A
decisão foi comunicada por mensagem de WhatsApp ao
governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) antes mesmo de uma
reunião, surpreendendo aliados e encerrando de forma abrupta uma relação que já
se desgastava.
No plano nacional, o PSD também perdeu
seu expoente mais competitivo para a disputa presidencial. O
governador do Paraná, Ratinho Junior, decidiu abandonar a corrida ao
Palácio do Planalto. Em simulações de primeiro turno, ele aparecia com cerca de
7%, ainda distante dos líderes, mas à frente dos demais postulantes do
partido.
Sem Ratinho, o PSD passou a depender de alternativas com
desempenho ainda mais limitado. Na mesma pesquisa
Genial/Quaest, Ronaldo Caiado registra cerca de 4% das intenções
de voto, enquanto Eduardo Leite aparece com 3%. Em cenários
equivalentes, Lula (PT) oscila entre 37% e 39%, e Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) entre 30% e 32%.
A fragilidade eleitoral se soma a outro problema: a ausência
de palanques estaduais. Ao contrário de Lula e Flávio Bolsonaro, o PSD não
conseguiu estruturar uma rede
de apoio regional para sustentar um nome próprio à Presidência.
Em estados
estratégicos, lideranças da sigla já se alinham a projetos adversários.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo
Paes apoiará Lula. Em São Paulo, o partido está no campo de Tarcísio,
aliado de Flávio. Em Minas Gerais, a articulação local também se aproxima da
extrema-direita.
O diagnóstico interno é que, embora o PSD mantenha força
regional e quadros relevantes, falta coesão para transformar esse capital
político em um projeto presidencial unificado. Diretórios estaduais seguem
caminhos distintos, divididos entre apoio ao governo Lula ou à candidatura
ligada ao bolsonarismo.
Diante desse quadro, a promessa de Kassab de lançar
um candidato próprio enfrenta obstáculos evidentes. Sem unidade
interna, com desempenho baixo nas pesquisas e sem palanques estruturados, o
partido chega à reta final de definição eleitoral pressionado por um cenário em
que a chamada “terceira via” segue sem espaço.

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