O próximo presidente da República terá que dar um choque
transformador no país, se quisermos ter ambições maiores em relação ao futuro
do Brasil. Algumas questões estão chegando ao limite do sustentável e exigirão
respostas eficazes e profundas.
Cito três. O estrangulamento fiscal atingirá seu ápice no
próximo mandato, com o engessamento quase pleno do orçamento constrangendo a
capacidade de investimento em ações que poderiam estimular o crescimento
acelerado e sustentado, e a permanência de déficits primários e do incômodo
crescimento da dívida pública rumo ao arriscado patamar de 100% do PIB, em
2030.
Também o combate ao crime organizado
demanda uma virada de mesa. O grau de sofisticação e enraizamento de
organizações, como PCC e Comando Vermelho, chegou a nível insuportável. É
inaceitável a existência de um verdadeiro Estado paralelo, com leis e
instituições próprias, em vastos territórios dominados e expressivo contingente
populacional escravizado. O SUSP – Sistema Único de Segurança Pública – precisa
deixar de ser apenas uma boa ideia para integrar ações efetivas de
enfrentamento e gerar soluções consistentes e duradouras.
Por último, a incompleta revolução educacional. Caminhamos
para o 3º. Plano Nacional de Educação (PNE), garantimos vinculação do orçamento
setorial às receitas, ampliamos a complementação federal ao FUNDEB de R$ 15,8
bilhões, em 2020, para R$ 70 bilhões este ano, e os resultados, em termos de
qualidade do ensino e desempenho de nossas crianças e jovens, permanecem
desalentadores e aquém do necessário. Como essa molecada vai chegar ao mercado
de trabalho e conviver com IA, tecnologias de informação, robótica, sem o
mínimo de proficiência em matemática, língua portuguesa e ciências?
Estamos a 6 meses da eleição presidencial. Há uma frase
atribuída a Tancredo Neves: “o único prazo que político respeita é o prazo
legal”. Antes disso, valem balões de ensaio, especulações, blefes, bravatas.
Quando chega o prazo legal, parte das cartas têm que ir à mesa. Na próxima
semana, esgota-se o prazo de desincompatibilização e de filiação
partidária.
Hoje o cenário parece cristalizado por uma polarização
solidamente estabelecida entre o lulismo e o bolsonarismo. O país estaria,
segundo as pesquisas, decidido e radicalmente dividido entre as candidaturas de
Lula e Flávio Bolsonaro. Lula carrega as dores e as delícias de 18 anos do PT
no poder. Flávio herda a condução desastrosa da pandemia e a tentativa de golpe
contra a democracia. Os dois polos hegemônicos se retroalimentam. Não só a
identidade e as convicções movem seus eleitores, mas também a rejeição sectária
contra o adversário.
No entanto, outra raposa mineira disse que a política é como
as nuvens, mutável e traiçoeira. Já o filósofo alemão cravou: “tudo que é
sólido desmancha no ar”. Uma grande novidade pode surgir nos próximos dias a
partir do posicionamento do PSD. Lançando o bem avaliado e experiente
governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para disputar com Flávio os votos da
direita, ou projetando o jovem, bem-sucedido e talentoso governador do Rio
Grande do Sul, Eduardo Leite, como símbolo do centro progressista, buscando a
construção de uma efetiva terceira via, de olho no apoio de uma parcela
expressiva da população, que não suporta mais a polarização que enxerga como
radical, estéril e esgotada

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