Flávio Bolsonaro quer evitar que a sujeira na segurança
pública do Rio respingue na campanha
No julgamento do TSE, governador depende dos votos de
Kássio Nunes e André Mendonça
Cláudio
Castro é acusado de gastar R$ 1 bilhão de recursos obtidos com a
privatização da companhia de água e esgoto –privatização aprovada com o
objetivo de tirar o Rio de
Janeiro da falência– para a compra de cabos eleitorais na campanha da
reeleição em 2022.
A investigação do Ministério Público aponta abuso de poder
econômico, com saques na boca do caixa feitos por funcionários fantasmas. Após
pedido de vista do ministro Nunes Marques, o caso volta ao Tribunal Superior
Eleitoral na terça-feira (24). No placar, dois votos pela cassação e a
declaração de inelegibilidade do governador.
Castro ocupa o Palácio Guanabara há cinco
anos e meio, tempo de total submissão aos interesses do bolsonarismo. Seu
antecessor, Wilson Witzel, foi afastado do poder quando passou a incomodar a
família. A história pode se repetir. O governador desconfia que um grupo
político, sob influência de Flávio, o filho 01, quer livrar-se dele, como se
fosse uma peça defeituosa.
No TSE, Castro depende dos votos de Nunes Marques e André
Mendonça, ministros indicados por Bolsonaro. Temendo uma decisão desfavorável,
ele avalia renunciar antes do fim do julgamento. Caso escape da condenação,
tentará uma das duas vagas ao Senado nas eleições de outubro. O cenário é
incerto. Estão na disputa o ex-prefeito Marcelo Crivella, a petista Benedita da
Silva, o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, o deputado Otoni de Paula, aliado
de Eduardo
Paes, líder das pesquisas para governador. O nome preferido de Flávio
Bolsonaro é Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo.
Em outubro, a matança nos complexos do Alemão
e da Penha deu popularidade a Castro. Hoje, no entanto, sua imagem
está manchada. Recentes operações da Polícia Federal no Rio prenderam 35
agentes de segurança pública acusados de corrupção e envolvimento com o crime
organizado.
Defensor do argumento que equipara traficantes de drogas a
terroristas, o filho 01 quer evitar que a sujeira na gestão fantoche de Cláudio
Castro respingue na campanha presidencial.

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