sábado, 21 de março de 2026

CLÁUDIO CASTRO TEME SER DESCARTADO PELO FLÁVIO BOLSONARO

Alvaro Costa e Silva, Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro quer evitar que a sujeira na segurança pública do Rio respingue na campanha

No julgamento do TSE, governador depende dos votos de Kássio Nunes e André Mendonça

Cláudio Castro é acusado de gastar R$ 1 bilhão de recursos obtidos com a privatização da companhia de água e esgoto –privatização aprovada com o objetivo de tirar o Rio de Janeiro da falência– para a compra de cabos eleitorais na campanha da reeleição em 2022.

A investigação do Ministério Público aponta abuso de poder econômico, com saques na boca do caixa feitos por funcionários fantasmas. Após pedido de vista do ministro Nunes Marques, o caso volta ao Tribunal Superior Eleitoral na terça-feira (24). No placar, dois votos pela cassação e a declaração de inelegibilidade do governador.

Castro ocupa o Palácio Guanabara há cinco anos e meio, tempo de total submissão aos interesses do bolsonarismo. Seu antecessor, Wilson Witzel, foi afastado do poder quando passou a incomodar a família. A história pode se repetir. O governador desconfia que um grupo político, sob influência de Flávio, o filho 01, quer livrar-se dele, como se fosse uma peça defeituosa.

No TSE, Castro depende dos votos de Nunes Marques e André Mendonça, ministros indicados por Bolsonaro. Temendo uma decisão desfavorável, ele avalia renunciar antes do fim do julgamento. Caso escape da condenação, tentará uma das duas vagas ao Senado nas eleições de outubro. O cenário é incerto. Estão na disputa o ex-prefeito Marcelo Crivella, a petista Benedita da Silva, o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, o deputado Otoni de Paula, aliado de Eduardo Paes, líder das pesquisas para governador. O nome preferido de Flávio Bolsonaro é Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo.

Em outubro, a matança nos complexos do Alemão e da Penha deu popularidade a Castro. Hoje, no entanto, sua imagem está manchada. Recentes operações da Polícia Federal no Rio prenderam 35 agentes de segurança pública acusados de corrupção e envolvimento com o crime organizado.

Defensor do argumento que equipara traficantes de drogas a terroristas, o filho 01 quer evitar que a sujeira na gestão fantoche de Cláudio Castro respingue na campanha presidencial.

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