Fachin atuou para julgamento no STF sobre prisão de
Vorcaro ter resultado rápido
Placar com maioria foi cravado em 50 minutos de
julgamento como estratégia de diminuir a pressão sobre a Corte
Os 50 minutos que separaram o início do julgamento sobre a
prisão de Daniel Vorcaro do placar com maioria contra o banqueiro não foram
casualidade. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin,
atuou nos bastidores para que o resultado da votação fosse sacramentado logo.
O julgamento começou na sexta-feira, 13, no plenário virtual
da Segunda Turma, e só termina amanhã. Mesmo com uma semana de prazo para
votar, três dos quatro ministros aptos a se manifestar no colegiado fizeram
isso em menos de uma hora, garantindo a maioria pela manutenção da prisão do
banqueiro. Dias Toffoli se declarou impedido para julgar o caso.
Nos bastidores, já era dado como certo que
a maioria do colegiado concordaria com a decisão do relator, André Mendonça, de
mandar prender Vorcaro. Fachin pediu aos colegas que votassem o mais rápido
possível. A ideia era arrefecer as expectativas em torno dos votos e, com isso,
diminuir a pressão sobre o Supremo.
Por outro lado, o movimento também serviu para mostrar que
Mendonça tem o apoio dos colegas na condução das investigações. O relator
entrou em choque com parte do tribunal especialmente quando liberou o conteúdo
do celular de Vorcaro para a CPI do INSS, o que facilitou o vazamento de
mensagens do banqueiro – inclusive uma conversa com Alexandre de Moraes.
O presidente do tribunal não participa das votações nas
turmas, apenas no plenário. Ainda assim, interlocutores de Fachin atestam que
ele conversou ao menos com Mendonça e Luiz Fux no dia da votação. E que tinha
planos de falar também com Kassio Nunes Marques. Os três deram os votos que
formaram maioria contra Vorcaro.
A atuação de Fachin nos bastidores mostra que, apesar de ser
discreto, está atento à crise. Também revela que pode até estar enfraquecido,
mas não está isolado.
Ministros aliados de Moraes, no entanto, cobram atuação mais
incisiva de Fachin na defesa do tribunal. O presidente ouviu de um colega a
sugestão de fazer isso em cadeia de rádio e TV.
Esse apelo foi feito logo que vazaram mensagens trocadas
entre Vorcaro e Moraes. Na avaliação de pessoas próximas de Fachin, se ele
aceitasse o conselho, soaria mais como uma defesa pessoal de Moraes do que da
instituição. Fachin, assim como outros ministros do tribunal, prefere conhecer
o conteúdo das mensagens antes de fazer juízo de valor sobre o colega.
O presidente tem dado recados em discursos. Na semana
passada, recomendou que juízes atuassem com “saudável distanciamento das partes
e dos interesses em jogo”. Ministros ligados a Moraes não interpretaram a fala
como defesa institucional – e, sim, como um puxão de orelha. •

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