Prestígio do presidente americano é baixo, mas mal se
moveu neste ano, mesmo com guerra
Combustíveis começaram a subir logo depois do começo dos
ataques
O preço médio dos combustíveis nos EUA aumenta desde que
começou a guerra contra o Irã. Lá não tem
Petrobras para amaciar a variação de preços. Nesta
quinta, a gasolina comum custava 12,5% mais do que na média de fevereiro. Por
falar nisso, o litro custava R$ 4,54. Na média brasileira, R$ 6,3 —a renda
média americana é o quádruplo da brasileira. Passemos.
Combustíveis mais baratos ajudavam a conter
a inflação nos EUA. Mas o nível de preços desde a inflação da pandemia ainda
machuca a metade mais pobre do país, que não vem tendo aumento real de salário
nem se beneficia do aumento de riqueza com a alta das ações. Mesmo sem guerra,
preços seriam um problema para Donald Trump e
o Partido Republicano nas eleições do final do ano. Em entrevista nesta quinta,
Trump disse que não se preocupa com isso: "...[os preços] vão cair muito
rapidamente quando isso [guerra] terminar e, se subiram, subiram...". E
daí?
Não se sabe o que os Estados
Unidos trumpianos querem com a guerra contra o Irã, se é que eles
sabem. Sem objetivo definido, não há medida de sucesso e, pois, baliza para dar
fim ao conflito. Nem mesmo é possível medir se tal ou qual quantidade de
perdas, como mortes, destruição ou perda de prestígio político e internacional,
vale a continuidade da guerra.
Afora Xi Jinping ou
país com bomba atômica, quase apenas altas de preços e tumultos nos mercados
financeiros têm feito Trump recuar de ameaças e medidas lunáticas. Gasolina,
ações e variações perigosas das taxas de juros nem de longe servem como
avaliação de sucesso na guerra. Mas seriam a medida de Trump, outra vez?
O S&P 500, um índice muito importante do mercado de
ações nos EUA caiu apenas 1% em relação à sexta passada, antes do começo da
guerra. É nada, dada a volatilidade do S&P 500. O preço do barril de petróleo Brent
já aumentou mais de 16% desde então, bem pior, embora, em um dia
qualquer, o
preço do Brent pode variar mais ou menos 5%, em média, ao do mês anterior
(é assim desde 2023). Dado o tamanho do enrosco e do risco de desastre ainda
maior, não são variações descabeladas.
Quase
não passa navio pelo famoso estreito de Hormuz, por onde sai o equivalente
a 20% do consumo diário de petróleo no mundo. É medo de bomba. Arábia Saudita e
Emirados Árabes Unidos em parte contornam o estreito recorrendo a oleodutos;
petroleiras americanas podem produzir mais, assim como as de países de fora da
zona do conflito. No curtíssimo prazo, semanas, não compensam 15% da perda com
Hormuz. Quanto mais tempo de asfixia, maior o risco para preços, mas o fim do
ataque daria alívio quase imediato (claro, os efeitos da guerra vão muito além
disso, em particular para os mortos). Trump
disse que a guerra duraria mais quatro semanas, sabe-se lá com base em qual
cenário.
Na média das pesquisas calculada pelo Silver Bulletin, a popularidade
de Trump se move pouco desde meados de janeiro. A desaprovação é agora de
54,9%; a aprovação, de 42,5% saldo negativo de 12,4 pontos (era positivo de
11,6 no início do mandato). A insatisfação é bem parecida com a desaprovação
desta guerra de Trump: no pior dos casos, das pesquisas, é de 59%.
Portanto, o morticínio no Irã por ora não afeta ainda mais o
prestígio desse bucaneiro perverso e demente, que é capaz de falar de escolha
de cortinas douradas para o salão de baile que está construindo na Casa Branca
no meio de um discurso sobre a guerra. Preços e prestígio por ora parecem os
motivos à vista que podem conter Trump.

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