Ex-governador será lembrado por secretários presos,
apologia da matança e golpe da renúncia
Cláudio Castro desviou dinheiro público para comprar a
reeleição. O veredito é do Tribunal Superior Eleitoral, que condenou o agora
ex-governador por abuso de poder político e econômico.
O caso se arrastava desde a campanha de 2022, quando o UOL
revelou a farra dos cargos secretos. O escândalo escancarou o uso ilegal da
máquina, mas Castro conseguiu se reeleger no primeiro turno.
Depois de muitas delongas, o TSE marcou a
conclusão do julgamento para terça-feira. O réu renunciou ao mandato na
véspera, em manobra explícita para escapar da cassação.
A fuga do governador foi celebrada com choro e cantoria
gospel no Palácio Guanabara. Fim melancólico para uma gestão marcada por
crises, paralisia administrativa e denúncias de corrupção.
Castro era vereador em primeiro mandato quando se juntou ao
azarão Wilson Witzel, em 2018. “Virei vice porque não tinha outro”, admitiria
depois. Com a queda do ex-juiz, o pupilo do Pastor Everaldo virou governador.
Sem força política, tornou-se refém da Assembleia Legislativa, ressuscitando a
prática de lotear delegacias e batalhões de polícia entre deputados.
Num estado marcado por escândalos, o governo Castro será
lembrado pela proximidade entre integrantes do primeiro escalão e o crime
organizado. Quatro secretários ou ex-secretários foram em cana por ligação com
traficantes e bicheiros.
O mais notório foi Rodrigo Bacellar, preso sob suspeita de
vazar uma investigação da Polícia Federal contra o Comando Vermelho. O deputado
foi cassado na terça pelo TSE. Também se beneficiou do esquema dos cargos
secretos.
Na segurança pública, o ex-vice de Witzel reprisou a aposta
no bangue-bangue. Ao se despedir, voltou a exaltar a operação que deixou 121
mortos na Penha e no Alemão, de longe a mais
letal da história do estado.
Castro abandonou o cargo com outros recordes. Foi o primeiro
governador eleito em mais de três décadas que não
inaugurou uma única estação de metrô. Como legado aos passageiros, deixou a
tarifa mais cara do país.
No domingo passado, o governador confraternizou
com Eduardo Cunha numa quadra de escola de samba. Saiu de cena no dia
seguinte, lançando o Rio de Janeiro numa crise institucional. Ao fugir da
cassação, ele debochou da Justiça e roubou dos eleitores o direito de escolher
seu sucessor. O golpe da renúncia foi o último crime de Castro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário