Caiado e Zema, na casa dos 5% no primeiro turno, empatam
com o presidente na disputa final
Avaliação do governo não é positiva nem entre o
eleitorado de menor renda, indica Datafolha
O anti-Lula deve ter
42% dos votos, sugerem dados do Datafolha. Ronaldo
Caiado (PSD-GO), com 5% dos votos no primeiro turno, e Romeu Zema (Novo-MG),
com 4%, iriam a 42% das preferências do eleitorado caso disputassem o segundo
turno com Luiz Inácio Lula da Silva. Nessas hipóteses, o presidente ficaria com
45%.
Não dá para cravar que qualquer adversário de Lula consiga
dar tamanho salto de votação entre os dois turnos —o Datafolha compôs cenários
apenas com Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), Caiado e Zema. É temerário dizer que Cabo Daciolo
(Mobiliza), com 1%, possa se tornar alternativa. Daciolo, do bordão
"Glória a Deux", foi candidato a presidente em 2018 e chegou em sexto
lugar, vencendo Henrique Meirelles, Marina Silva e Guilherme Boulos.
De volta ao mundo das hipóteses menos
inverossímeis, o anti-Lula ganha uns 37 pontos de um turno para outro, colando
no presidente. A esta altura do campeonato, pois, a reeleição parece difícil
mesmo que Bolsonaro filho evapore.
O governismo diz, com certa razão, que o herdeiro do golpe é
tratado como um ser vaporoso, que não confraternizou com milicianos e dinheiro
vivo: Flávio Bolsonaro não está apanhando. Ainda que apanhe e perca pontos,
ressalte-se que um anti-Lula tem 42% dos votos no segundo turno, ante 46% de
Bolsonaro filho. Para piorar, 48% do eleitorado diz que não votará em Lula
"de jeito nenhum".
Sim, tirar votos do adversário principal evita risco de
desastre precoce, mas não dá jeito no antilulismo. Uma vitória de Bolsonaro no
primeiro turno dependeria de uma captura precoce de eleitorado de Caiado e Zema
e de tirar outros 4 pontos de Lula. Parece difícil, mas a direita cresce e o
lulismo está atônito.
Em um segundo turno, 80% dos eleitores de Bolsonaro filho no
primeiro turno votariam em Caiado; 55% dos eleitores de Zema também; 80% dos
eleitores de Bolsonaro filho votariam em Zema; 72% dos eleitores de Caiado
também. Os adeptos de Caiado parecem mais antilulistas que os de Zema. A fim de
atenuar o risco de derrota, o lulismo terá de comer pelas beiradas de vários
eleitorados. Minas Gerais parece uma dessas bordas. No mais, mesmo com o peso
das redes nas eleições,
alianças políticas estaduais certeiras podem ser decisivas nesta eleição
apertada.
E o centro? Segundo o Datafolha, 27% do eleitorado é
"não alinhado": nem bolsonarista, nem petista. Neste grupo, Lula
ganha de Bolsonaro filho, empata com Caiado e Zema em um segundo turno. Cerca
de 16% dos eleitores se dizem de "centro". Entre esses, Lula empata
com Bolsonaro filho e perde de Caiado e Zema. O caminho do centro parece
difícil também, pois, embora as autodefinições políticas sejam curiosas. Por
exemplo, 29% dos eleitores de centro-direita e direita se dizem petistas; 38%
dos petistas se dizem de centro-direita e de direita. Um candidato esperto
exploraria essas zonas de confusão.
A avaliação de Lula voltou a piorar, com saldo agora de 11
pontos negativos (diferença entre "ótimo/bom" e
"ruim/péssimo"). É negativa desde o início de 2024, de inflação da
comida, pânico financeiro e campanha
de mentiras da direita sobre o Pix. De resto, Lula colhe o que plantou na
política econômica e na velhice do discurso.
O presidente não tem saldo positivo nem entre os mais
pobres. A piora da avaliação de Lula foi mais notável entre esse eleitorado, de
renda menor do que dois salários-mínimos (e no Sudeste). Lula corre o risco de
perder até jogando em casa.

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