Missões espaciais tripuladas são até 200 vezes mais caras
do que as robóticas
Se a meta é produzir conhecimento científico, prioridade
deveriam ser sondas e telescópios
Foi bonita
a festa. A Artemis 2 completou
com sucesso sua missão de circunavegação da Lua e trouxe
de volta consigo, além dos quatro astronautas intactos, vários feitos
interessantes. Eles incluem fotos
maravilhosas do satélite, novos conhecimentos científicos e o carimbo
de "funciona" para tecnologias aeroespaciais recém-desenvolvidas.
Avançando para o território dos intangíveis, a missão produziu novos heróis
siderais, inspirou
uma legião de crianças a interessar-se por ciência e
serviu até para suavizar um pouco a imagem global dos EUA, tão castigada pelas
trumpices.
Não tenho nada contra esses efeitos mais
psicológicos, aos quais acrescentaria a própria busca por uma narrativa de
transcendência, tão característica de nossa espécie. Se essas extravagâncias
psíquicas viessem a um preço razoável, eu seria o primeiro a aplaudi-las. Mas
não vêm. Missões tripuladas são assustadoramente mais caras do que as
robóticas. E aí meus ímpetos pragmáticos falam mais alto.
Por curiosidade, perguntei para uma IA qual a diferença de
custo entre programas com e sem astronautas. Ela disse que as missões
tripuladas podem custar até 200 vezes mais, dependendo do perfil da expedição.
Sistemas de suporte de vida e a logística de retorno (sondas em geral não
precisam voltar) explicam boa parte do sobrepreço. Mesmo que desconfiemos das
contas da IA, acho que elas funcionam como um bom chute informado.
Vale registrar que as últimas décadas, nas quais as agências
se concentraram em sondas e telescópios espaciais, produziram uma galáxia de
novos conhecimentos que revolucionaram a astronomia e
a cosmologia. Tudo considerado, penso que estaríamos melhor se dispensássemos
os humanos de viagens espaciais, que servem tautologicamente para dizer que
conseguimos levar humanos ao espaço.
É a mesma sensação de desperdício que tenho ao constatar que
laboratórios farmacêuticos gastam mais em marketing do que no desenvolvimento
de novas drogas ou ao ler descrições das bonitas festas
do Vorcaro.

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