Um recorte exclusivo da pesquisa Genial/Quaest mostra que
apenas 16% dos brasileiros não se sentem afetados pela alta dos combustíveis.
A guerra contra o Irã atingiu diretamente o Brasil, por
isso, a perspectiva de fim do conflito, que se abriu na sexta-feira, é uma
excelente notícia também para o governo brasileiro. Segundo a pesquisa
Genial/Quaest, apenas 16% dos brasileiros não se sentem afetados pela alta dos
combustíveis. O evento bagunça o cenário e aumenta a distância entre percepção
e fato na economia. O país tem bons indicadores, mas o eleitor não sente isso.
Para 38%, o principal causador dos preços dos combustíveis é a guerra do Irã e
a situação internacional, porém o segundo vilão escolhido, com 25%, é o
“governo Lula e suas decisões na economia”.
As pesquisas mostram que não têm melhorado
nem a avaliação do presidente Lula nem a do governo, apesar dos bons números.
Na atual administração, a inflação caiu, o desemprego despencou, a renda subiu,
os trabalhadores do mercado formal, da base da pirâmide salarial, deixaram de
pagar Imposto de Renda ou pagam menos. São fatos que indicam o avanço, mas o
importante no mercado político é a percepção. O governo já tinha dificuldades e
a guerra aumentou ainda mais seus problemas.
Os que se dizem mais atingidos pela alta dos combustíveis
são homens, de 35 a 59 anos, do Sudeste e do Sul do país, com ensino médio ou
ensino superior, com renda superior a dois salários mínimos e evangélicos.
Alguns desses segmentos são particularmente desafiadores para a campanha do
presidente Lula. As clivagens na sociedade brasileira se repetem na hora de
avaliar quem é o causador do problema. Entre os católicos apenas 19% acham que
é a culpa do governo Lula. Entre os evangélicos, 34% têm esta opinião.
O governo Bolsonaro enfrentou o mesmo problema, a disparada
dos preços dos combustíveis em ano eleitoral causada por uma crise
internacional. Em 2022, foi a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Os dois
governos decidiram suspender impostos federais sobre derivados de petróleo.
Bolsonaro impôs aos estados a suspensão do imposto estadual. O governo Lula
chamou os governadores para um pacto.
A Quaest perguntou aos eleitores: “Soube que o governo
federal reduziu impostos e articulou com governadores?”. Entre os
entrevistados, 63% disseram que não souberam e 37% souberam. No Nordeste, 70%
desconheciam que houve redução de impostos sobre combustíveis. Entre as
mulheres, 74%.
Quando perguntados o que acham das ações do governo sobre
combustíveis, 55% aprovam e 31% desaprovam. A aprovação chega a 63% entre os
eleitores do Nordeste, 60% entre os homens, mais do que os 52% das mulheres que
aprovam. Tem aprovação até entre os bolsonaristas (40%) e direita não
bolsonarista (50%).
Há uma divisão fiscalista interessante na pesquisa. Quando a
pergunta é sobre o que o governo deve fazer agora, 49% disseram que é “manter a
redução de impostos, mesmo que isso piore as contas públicas” e 39% acham que
deve “priorizar o equilíbrio das contas, mesmo que o preço fique mais alto”.
Dos que aprovam o governo, 52% defendem a manutenção da política, enquanto 37%
consideram que o foco deve ser o ajuste fiscal. Já entre os que desaprovam, 46%
apoiam a continuidade da medida, e 42% avaliam que a prioridade deve ser o
fiscal.
O que a pesquisa mostra em todas as suas nuances é que nada
é automático nessa relação entre economia e política. O fim da guerra, contudo,
seria um alívio. A guerra é inflacionária, e isso eleva o mau humor que se vira
contra a presente gestão. Ao longo da campanha, a aprovação do governo sempre
melhora. Na pesquisa espontânea, 62% ainda não se decidiram. Ou seja, há muito
chão pela frente, mas o incumbente tem sempre o terreno mais acidentado. O fim
da guerra seria um solavanco a menos.

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