Presidente diz que sistema de pagamento instantâneo é
brasileiro e ninguém fará o país modificá-lo. Declaração ocorre após relatório
apontar que o mercanismo é uma das principais barreiras impostas pelo Brasil
aos interesses comerciais americanos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice,
Geraldo Alckmin (PSB), reagiram, nessa quinta-feira, ao relatório produzido
pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma
das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio norte-americano.
Lula enfatizou que nenhum país nem "ninguém" vai
alterar o funcionamento do método de pagamento instantâneo criado pelo país.
"Os Estados Unidos fizeram um relatório, nesta semana, sobre o Pix, e eles
disseram que distorce o comércio internacional, porque o Pix, acho que, cria
problemas para a moeda deles. É importante a gente dizer para quem quiser nos
ouvir: o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço
que ele está prestando à sociedade brasileira", enfatizou. "O que nós
podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às
necessidades de mulheres e homens deste país."
A declaração ocorreu durante visita do
presidente às obras do VLT em Salvador. Ele já se encaminhava para o fim
do discurso quando o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom),
Sidônio Palmeira, se aproximou e disse: "Fala o negócio do Pix".
O documento dos EUA foi publicado pelo escritório de
representação comercial da Casa Branca (USTR). Nele, a gestão norte-americana
aponta o que chamou de "tratamento preferencial ao Pix, que prejudica os
fornecedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA".
Na avaliação de Alckmin, as críticas de Washington não geram
preocupações para o Brasil. "O Pix é um sucesso. Você tem uma coisa que o
mundo inteiro hoje acompanha. Observa custo zero para o contribuinte, para o
consumidor, e utilizando os meios digitais de forma impressionante. Você
apertou ali já tá feito o depósito", destacou Alckmin, nessa quinta-feira,
em café da manhã com jornalistas, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria,
Comércio e Serviços (Mdic).
Blusinhas
Além do Pix, o relatório do USTR disse que a "taxa das
blusinhas". De acordo com o USTR, o Brasil aplica uma taxa linear de
60% para todas as encomendas expressas importadas no regime de desembaraço
simplificado, além de impor limites anuais para importadores.
Na entrevista dessa quinta-feira, por sinal, Alckmin foi
perguntado sobre estudos para reduzir essa taxa, tendo em vista a proximidade
das eleições. Disse que foi defensor da medida no passado para preservar o
emprego e a renda dos brasileiros e frisou que a indústria têxtil e o setor de
confecção empregam muito.
Segundo ele, mesmo com a tributação, a carga tributária
ainda é "bem menor" do que a do item produzido no Brasil. "Eu
não tenho participado desse debate, mas lá atrás, quando houve essa discussão,
nós defendemos, porque entendemos que precisamos garantir uma lealdade
concorrencial", disse. "É a defesa do emprego e da renda",
acrescentou, ao detalhar que o produto nacional enfrenta uma carga tributária
de quase 50%, enquanto o importado de até US$ 50 paga em torno de 30%.
O USTR também critica o projeto de lei que amplia os poderes
do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre mercados digitais.
A respeito disso, o vice-presidente ressaltou que "a única regulação"
feita pelo Brasil quanto a big techs foi o ECA Digital, voltado a proteger a
infância.
Alckmin voltou a dizer que o Brasil não é problema para os
EUA, já que eles têm superavit na balança de bens e serviços com o país. E
disse que a ideia é aumentar a complementaridade e a troca de investimentos.
"Nosso trabalho é aumentar esse diálogo, essa parceria, essa
cooperação", destacou. (Com Agência Estado)

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