Entrega de bagrinhos de Vorcaro não basta e caso Master
vai muito além de escândalo financeiro no DF
Não será pequena a tentação para que nos satisfaçamos já
à primeira oferta de delatados do banqueiro
A quarta fase da Operação Compliance Zero foi a primeira
disparada sobre bases da delação de Daniel Vorcaro. É informação relevante;
porque não será pequena a tentação para que nos satisfaçamos já à primeira
oferta de delatados. Paulo Henrique Costa estava dado – cabeça à mesa – fazia
tempo. O ex-presidente do BRB – a quem se pagaria propina de R$ 140 milhões –
era burocrata cujo poder executivo, num banco público, não lhe dava autonomia
para decidir negócio de bilhões. A conta não fecha.
Avalie esses R$ 140 milhões (lavados na
fachada de imóveis) pensando nos R$ 12 bilhões que o BRB dera ao Master somente
na forma da aquisição de créditos fraudulentos. Propina de pinga. Costa não
estava – não poderia estar – sozinho. Faltam outros bagrinhos na equação. Falta
peixe graúdo. E não o óbvio.
Costa podia ser o “verdadeiro mandatário” de Vorcaro no BRB.
Mandatário é o representante, o designado – o procurador. Mandatário, Costa,
pressupõe mandante – o banqueiro. Nenhum deles mandava no BRB. O governador
mandava. A última palavra – sobre negócio a bilhões – era de Ibaneis Rocha;
cuja defesa optou por investir na ignorância do cliente, o que nunca sabe de
cousa alguma. A alternativa seria pior.
Ocorre que a PF já tem o ex-governador faz tempo. Não carece
de delação. O maledicente a se lembrar, por um só exemplo, de que o escritório
de Ibaneis fechara contrato – de R$ 38 milhões – com um fundo ligado à
onipresente Reag. Acordo de maio de 2024, período em que o BRB adquiria as
carteiras do Master. Ibaneis estava lewandowskimente afastado da banca, tocada
pelo filho.
É atraente o apelo da saciedade ante as primeiras entregas
de Vorcaro. Convém a muitos; muitos sendo os que trabalharam pelo Master – para
além do Banco de Brasília – e foram remunerados sob as modalidades variadas de
fachadas costuradas na teia vorcárica. Muitos, os que querem que o caso reste
limitado ao escândalo financeiro no Distrito Federal.
Mais interessante que Costa – para que se compreenda a
sobreposição de fundos e empresas por meio das quais Vorcaro se fez onipresente
e invisível – é o outro preso da jornada: o advogado Daniel Monteiro. (Não que
Costa tenha contribuição desprezível a dar. Ele poderia esclarecer se procede a
informação de que esteve com Alexandre de Moraes na casa do banqueiro.)
Monteiro prestava serviços ao Master e era, segundo os investigadores, o
formulador das soluções para os pagamentos dissimulados de Vorcaro.
Operava dentro do Master e da Reag; e não terá montado
apenas as empresas-biombo e as camadas de fundos usadas para pagar propina a
Costa. Seria o responsável por estruturar toda a complexa rede vorcárica por
meio da qual eram comprados burocratas, políticos e autoridades públicas. Ele
merece cuidado, delator potencial clássico – como fora o falecido “sicário”.
Seu escritório recebeu, formalmente, pouco mais de R$ 79
milhões do Master – num intervalo entre 2022 e 2025. Só ficaria atrás do Barci
de Moraes, que levou mais de R$ 80 milhões em 22 meses, entre 2024 e
2025.

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