sexta-feira, 24 de abril de 2026

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Eliane Cantanhêde, O Estado de S. Paulo

Dois ‘outsiders’ de 2018 caíram em desgraça e um é candidato à Presidência

Os três foram eleitos governadores com ampla margem de votos impulsionados pelo bolsonarismo e pelo discurso contra a política

Três ilustres desconhecidos, que surgiram do nada, lançaram-se na política e foram eleitos governadores em 2018, na onda do bolsonarismo e contra o “sistema, a política, a corrupção e a violência”, tornam-se hoje ótimos “cases” sobre “outsiders” na política. Dois caíram em desgraça, um virou candidato a presidente.

Os dois que não deram certo vieram da área jurídica, hoje tão abalada por revelações chocantes, e apresentaram-se como impecáveis cumpridores da lei e impolutos guerreiros contra a corrupção. Ibaneis Rocha, advogado muito bem-sucedido e ex-presidente da OAB-DF, foi eleito e reeleito no DF, mas... E Wilson Witzel, ex-juiz federal (vejam só!), foi tão efêmero como governador quanto meteórico como candidato no Rio.

Ibaneis teve um fim dramático, com muita coisa a explicar sobre como o BRB, banco estatal, foi embolado com o Master e dilapidado na sua gestão. Grande “azarão”, Ibaneis teve 70% dos votos no segundo turno de 2018 e foi reeleito já no primeiro turno em 2022. Será que não tinha a menor ideia do assalto ao BRB, como não teve no 8 de janeiro do golpe?

Quanto a Witzel, foi afastado do governo do Rio, um ano e sete meses depois de eleito, e finalmente sofreu o impeachment, por unanimidade, meses depois. Por quê? Por fazer o oposto do que prometera na campanha – como Ibaneis, que sobreviveu, mas ainda vai enfrentar uma longa batalha na polícia e na Justiça.

Witzel caiu da toga, mergulhou na campanha do Rio como “outsider” e “contra a velha política” e pulou de 1% nas pesquisas para 4,7 milhões de votos (60%) no segundo turno contra o veterano Eduardo Paes, que fora prefeito da capital por dois mandatos, aliás, bem avaliados.

Quem elegeu Witzel foram petrolão, mensalão e sucessivos escândalos no Rio, que não apenas tiraram votos do “candidato do sistema” como produziram 4,6 milhões (41%) de abstenções e votos nulos e brancos, mais do que Paes. Os que lavaram as mãos e não votaram definiram o resultado.

O terceiro “outsider” foi Romeu Zema, empresário, formado em Administração pela FGV, com especialização em Harvard, que se filiou ao Partido Novo em Minas e venceu com 7 milhões de votos (72%) no segundo turno contra Antônio Anastasia, ex-governador tucano, que sucumbiu com o fim do PSDB e do PT no terceiro PIB do País.

Zema lançou-se à Presidência e, enquanto Lula, Flávio e Caiado estão cheios de dedos ao falar do STF, ele roubou a bandeira do “anti-Supremo” e soltou a língua, ainda mais depois de Gilmar Mendes virar seu maior cabo eleitoral. De outsider, Zema não tem mais nada, mas essa continua sendo sua fantasia em 2026.

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