No novo episódio que flerta com o surreal, ex-diretor da
Abin é preso pelo serviço de imigração dos EUA
Novas peripécias de Daniel Vorcaro e sua turminha do
barulho certamente vão agitar a sua sessão da tarde
Ninguém segura o roteirista. Está sem limites. No novo
episódio que flerta com o surreal, o ex-diretor da Abin (Agência
Brasileira de Inteligência) Alexandre
Ramagem (PL-RJ)
é detido
pelo ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos. Considerado foragido
da Justiça brasileira, o ex-deputado cassado cai na malha trumpista que deporta
imigrantes ilegais.
Um olhar desatento pode até sugerir que o
escrevinhador perdeu a mão, que exagera no pastelão, mas basta lembrar que, em
dezembro, Silvinei
Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária
Federal, foi preso em Assunção, no Paraguai, quando tentava embarcar num voo
para El Salvador usando um passaporte falso.
De cara e cabelos novos, dizia se chamar Julio Eduardo Baez
Fernandez e que viajava para tratamento de saúde. Levava uma carta em espanhol
com prescrição médica, onde
afirmava que não falava, nem ouvia, "em razão de uma condição médica
grave".
O despautério do roteirista chega a fazer com que se esqueça
de seus arroubos mais recentes. Já parece um causo distante o episódio de
novembro passado, quando Jair
Bolsonaro (PL) atentou
contra a sua tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda. Flagrado
pela Polícia
Federal, alegou, num desvario, que fez aquilo por "curiosidade".
Num talento inesgotável para a tragicomédia, o roteirista
também mostra que não é escritor de uma obra só. Chega dessa história clichê de
fugir para os EUA com joias
das Arábias, de montar missão secreta para recuperar diamantes, de se
esconder na Embaixada da Hungria ou falsificar cartão de vacina.
Aí estão os episódios diários das "Mil e Uma Noites de
Vorcaro" e sua trupe, para provar que "as novas peripécias dessa
turminha do barulho vão agitar a sua sessão da tarde". Muitas sessões.
Não é à toa que tem gente que não confia mais nas
instituições da República. Alguns já decidiram chamar ETs com o celular para
ver se dão um jeito nessa confusão. O roteirista morre de rir. De tédio,
ninguém morre.

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